São Paulo, 29 (AE) - O Tribunal Regional Federal (TRF) revogou hoje à noite a ordem de prisão preventiva contra o delegado Gilberto Aparecido Américo, chefe da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Delecoie) da Polícia Federal em São Paulo. Américo havia sido preso no final da tarde de sexta-feira, por deteterminação do juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Criminal da Justiça Federal. Segundo o juiz, Américo teria "manipulado provas" em inquérito que apura golpes praticados no mercado financeiro pelo investidor Renato Arraes.
A revogação da prisão foi concedida pelo desembargador federal Souza Pires, que acolheu habeas corpus impetrado pelos Sindicatos dos Delegados e dos Agentes da PF. A prisão de Américo provocou revolta dos federais que o consideram um autêntico "linha dura" no combate à corrupção. Durante todo o dia, grupos de policiais fizeram vigília em solidariedade ao delegado, que estava recolhido a uma sala da Delegacia de Ordem Política e Social (Delops).
Há 20 anos na PF, Américo foi escolhido para dirigir a Delecoie paulista - uma das cinco delegacias desse gênero instaladas no País -, subordinada à Divisão de Combate ao Crime Organizado (Dcoie), criada pelo presidente Fernando Henrique com a missão de investigar crimes de corrupção no governo e fraudes contra o sistema financeiro. Fernando Henrique baseou sua decisão nos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Precatórios.
Ex-secretário da Segurança Pública do governo Tasso Jereissati (PSDB-CE) - no primeiro mandato do tucano -, Américo destacou-se no ano passado quando indiciou em inquérito e pediu a prisão temporária do ex-prefeito Paulo Maluf e do prefeito Celso Pitta, acusados de envolvimento no escândalo dos precatórios. Segundo Américo, Maluf e Pitta teriam forjado dados sobre as dívidas judiciais da Prefeitura e, assim, obtiveram autorização do Banco Central e do Senado para emissão de títulos em volume superior ao real valor dos precatórios a serem quitados.
Na sentença em que mandou prender o delegado, o juiz Ali Mazloum revela a existência de "graves irregularidades" no processo que apura as atividades do investidor Arraes, que está preso desde setembro. Arraes foi detido por determinação de Mazloum. Segundo o juiz, teria havido "adulteração e sonegação de objetos de prova" - o notebook de Arraes, com a relação de seus clientes, "teve a memória adulterada enquanto esteve em poder da polícia (entre os dias 2 e 8 de outubro) sob a responsabilidade do investigado (Américo)". O nome do próprio juiz consta da lista extraída do computador de Arraes.
O juiz assinalou que "isso (a adulteração) está confirmado pelos peritos indicados pelo Ministério Público e pelos peritos da USP". Ali Mazloum ressaltou que "a sonegação de documentos é incontestável ". Ainda de acordo com a sentença, Arraes "estaria sofrendo perseguições". O investidor denunciou "grave esquema de corrupção e extorsões praticadas por policiais".

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