Três são presos pelo furto de Gol de FHC
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segunda-feira, 15 de novembro de 1999
Por Gabriela Carelli 
São Paulo, 15 (AE) - A mesma marca, ano 93, cor idêntica. Alexsandro Aparecido Rosa assistia à TV no sábado à tarde e achava graça nas coincidências entre o Gol que furtara na sexta-feira e o caso mostrado pela reportagem policial - outro veículo furtado, cujo dono era o presidente Fernando Henrique Cardoso. Pulou do sofá quando se deu conta de que as semelhanças ultrapassavam a barreira do acaso. "Ai, meu Deus, como é que fui pegar o carro do homem", murmurou o rapaz, preso hoje com mais dois cúmplices em Barueri, por outra trapalhada: carregar consigo uma prova irrefutável do crime. Nada menos do que a agenda eletrônica do presidente.
O fim da curta - mas histórica - carreira de delitos do rapaz de 22 anos, que furtou o Gol azul de placa JDZ-2849, de Brasília, na Rua Voluntários da Pátria, em Santana, por volta das 21 horas de sexta-feira, começou com um telefonema anônimo à Guarda Civil Metropolitana. Na ligação, feita à 1h30, o denunciante garantia que os ladrões trafegavam nas proximidades do distrito em um Fusca branco.
Foi o bastante para, no meio da noite, Polícias Civil e Militar serem acionadas e, uma hora depois, cercarem um Fusca idêntico. Lá estavam Rosa e Antônio Evangelista dos Santos, de 32 anos. No banco traseiro, uma agenda eletrônica com telefones para lá de improváveis: Palácio da Alvorada, segurança presidencial, ministros e senadores.
A primeira providência da equipe foi descobrir de quem era o Fusca. Qual não foi a surpresa. Roubado na mesma sexta-feira, também em Santana, registrado no 13º Distrito, na capital, e placas frias. "Apesar de todas as coincidências, só esclarecemos tudo quando pegamos a agenda e o rapaz confessou", disse o delegado Marcelo José do Prado.
Santos nega a versão e afirma ter comprado o Fusca de "um conterrâneo, que voltaria para o Norte" nos próximos dias. "Por conta disso, só paguei R$ 400,00; em dois dias, viriam os documentos."
Contradições - O carro presidencial usado pelo motorista de FHC Gilberto de Souza Passos, de 46 anos, que usava o veículo para fazer pequenos serviços para o presidente em São Paulo, foi achado no município vizinho, Itapevi, na casa de Juraci Caetano Ribeiro do Nascimento, de 39 anos, indiciada como receptadora.
A partir daí começa a série de histórias mal contadas. "O rapaz veio, disse que a gasolina havia acabado e pediu para deixar o carro na minha garagem", contou Juraci, moradora da Rua dos Navegantes, 273, acusada de comprar o veículo furtado.
Apesar de afirmar não conhecer Rosa nem Santos, a costureira tomou cuidados extras, como cobrir o carro com lona, para não pegar sereno. O excesso de zelo, para os policiais, é mais um indício de que Juraci sabia de tudo. Os outros têm passagens pela polícia, por tráfico de drogas e porte de armas. "Quem sabe agora, com a proximidade, o presidente não me consegue uma ajuda; tenho dez filhos, FHC, me arruma um emprego."


