Três regiões concentram 73% dos especialistas
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domingo, 09 de junho de 2013
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Nos últimos meses, com a polêmica sobre a "importação" de médicos cubanos para suprir lacunas no atendimento básico de saúde no Brasil, muita gente entrou no debate sobre a concentração de profissionais de medicina em certas regiões brasileiras e a necessidade de atraí-los para áreas interioranas.
Essa concentração não ocorre apenas na saúde básica, mas também entre médicos especialistas. O Paraná é um exemplo.
Segundo números do Conselho Regional de Medicina (CRM-PR), há 20.483 médicos ativos no Paraná. Destes, 12.489 têm alguma especialidade muitos possuem mais de um título. Os números por delegacia regional do CRM-PR mostram que as regiões dos três maiores municípios paranaenses concentram esses profissionais: dos especialistas paranaenses, 73,29% trabalham em Curitiba, Londrina, Maringá e municípios vizinhos.
"Falar em carências é relativo. Às vezes há número suficiente de médicos, mas a distribuição é concentrada. A falta de estrutura e de plano de carreira (na saúde pública) faz com que os médicos se fixem onde há condições de trabalho, ou seja, nas grandes cidades", explica Alexandre Gustavo Bley, presidente do CRM-PR.
Enquanto as regiões de Curitiba, Londrina e Maringá concentram os médicos especialistas, outras áreas do Estado sofrem com a falta de profissionais. Na região de Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro), há 146 especialistas de 30 áreas diferentes. Para se ter uma ideia, na região de Curitiba há 150 médicos especializados apenas em acupuntura.
Outro número ilustrativo: ao todo, 53 especialidades médicas são reconhecidas no Brasil. Ou seja, na região de Santo Antônio da Platina, 23 especialidades não possuem sequer um representante local. Outras têm pouquíssimos praticantes: há apenas um médico especializado cada nas áreas de cirurgia cardiovascular, do aparelho digestivo, endoscopia digestiva, gastroenterologia, homeopatia, mastologia, medicina da família e comunidade, medicina intensiva, medicina legal e perícia médica e reumatologia.
"Quando não há especialistas, é claro que a população sofre. Mas faltam condições de trabalho para que especialistas venham para a região. Falta uma política de investimentos do poder público. Quando falam em Norte do Paraná, só falam em Londrina", critica Sérgio Bachtold, diretor da Delegacia Regional do CRM-PR em Santo Antônio da Platina. Segundo o médico, moradores da região são obrigados a buscar atendimento especializado em outras localidades, especialmente Londrina e Curitiba.
Ele acredita que a demanda é suficiente para que seja dada estrutura para que mais especialistas trabalhem na região. "É só ver o Instituto do Rim (do Norte Pioneiro, localizado em Santo Antônio da Platina). Não tinha antes, hoje está superlotado", destaca o diretor.
Antônio Carlos Figueiredo Nardi, presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Paraná (Cosems-PR) e secretário em Maringá, afirma que a preocupação dos gestores públicos é para que haja mais médicos especializados atendendo através do Sistema Único de Saúde (SUS).
"Não adianta eu ter 50 especialistas em reumatologia numa cidade e só um atender pelo SUS", argumenta. "Independente do porte do município, o que temos que fazer é com que os especialistas se prestem a atender mais pelo sistema." Ele cita que os gestores locais têm procurado fomentar esse aumento através de maior organização de serviços, estímulo a consórcios, para que médicos sejam contratados com melhor remuneração, e conversas com os governos do Estado e Federal para que sejam formados mais especialistas.
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) foi procurada pela reportagem, mas não quis se manifestar.


