Agência Estado
De Jundiaí
Pelo menos três detentos morreram e outros 13 ficaram feridos, um em estado grave, na rebelião dos presos da Cadeia Pública de Jundiaí, a 60 quilômetros de São Paulo. A capacidade do presídio é para 120 presos, no entanto, naquele momento abrigava 277. A rebelião teve início às 23h30 de domingo e se estendeu até por volta do meio-dia de ontem, quando os carcereiros Elton da Silveira e Deolindo Vieira, mantidos como reféns, foram libertados. Vieira chegou a ser algemado a um botijão de gás. Pouco depois, a Polícia Militar entrou na cadeia.
Às 14 horas, quando acreditava-se que a situação estava controlada e a PM se preparava para revistar as celas, os presos retomaram o motim. Detentos das celas dos fundos, onde ficam os mais perigosos, mataram e feriram presos do seguro e da faxina. Em seguida, passaram a queimar colchões, roupas, prontuários e todos os documentos que estavam na sala da administração. Por fim, ainda jogaram fora vidros de medicamentos alegando que estavam vencidos.
Os rebelados só não conseguiram escapar porque 120 vigilantes noturnos da cidade cercaram o presídio, até a chegada de um helicóptero da Polícia Militar, o Grupo de Operações Especiais (GOE) e a Tropa de Choque da PM que se deslocaram para o local. Por volta das 16h30 a rebelião foi controlada.
Os detentos reivindicavam a presença da juíza corregedora do município, Elaine Cristina Monteiro Cavalcante Rodrigues, para revisão dos processos e soltura daqueles que, segundo eles, já teriam direito à liberdade. A juíza determinou a transferência de 20 presos - dez para Itatiba e outros dez para Campo Limpo Paulista - e deferiu o pedido de regime aberto para oito detentos.
De acordo com o delegado Seccional de Jundiaí, Paulo Bicudo, essa foi a primeira rebelião com reféns na cadeia. O titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Paulo Sérgio Martins, foi o único em que os presos confiaram para libertar os reféns. Revoltada, a mãe do carcereiro Elton Santos, Regina Santos, disse que não valia a pena o filho ganhar ‘‘uma porcaria de salário para correr risco de vida’’.Além das mortes, provocadas pelos próprios companheiros, outros 13 detentos ficaram feridos; motim só foi controlado ao meio-dia de ontem
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