Três presos fogem da PEL II
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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Danilo Marconi <br> <br> Reportagem Local 
Três homens fugiram ontem do interior da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) II, onde são mantidos os presos condenados. Esta foi a primeira fuga registrada no presídio inaugurado em 2007. Até então havia registros de duas tentativas de fugas na unidade.
A PEL II abrigava 984 presos. O trio permanecia na galeria de isolamento composta por 16 unidades e escapou depois de serrar parafusos das celas e ter acesso ao telhado da unidade. ''Eles subiram num alçapão e percorreram boa parte do telhado até encontrarem um shaft (encanamento hidráulico) para descer. Então, os presos pularam o muro com auxílio de cordas e cobertores'', explicou o diretor da penitenciária, Elcio Martins Basdão. A fuga ocorreu às 3h20 de ontem.
As cordas, feitas com lençóis das próprias celas, são conhecidas como ''terezas'' e foram alçadas a poucos metros de uma guarita. O muro tem seis metros de altura e conta com concertina. Os presos também deixaram para trás a serra utilizada para abrir as celas.
Parte da fuga foi captada pelo circuito interno de vigilância da PEL II. Um procedimento administrativo foi aberto para apurar o fato. ''É claro que houve uma falha. Uma comissão deve ser escolhida para apurar se houve negligência, imprudência ou facilitação de servidores'', afirmou. Os agentes de plantão serão inqueridos, além dos presos que estavam na galeria. As imagens do circuito interno também serão avaliadas pela comissão.
Na manhã de ontem foi feita uma revista em todas as celas do presídio, onde foram encontrados dois celulares, uma broca e outra serra. A inspeção foi coordenada pelo Pelotão do Choque do 5º Batalhão da Polícia Militar (5º BPM). ''É difícil apontar como esses materiais entraram no presídio. Isso também será analisado pela comissão'', disse Basdão.
Os motivos pelos quais os presos eram mantidos na galeria de isolamento não foram esclarecidos pela direção da PEL. Licio de Souza Schimitz havia sido transferido há poucos meses de Curitiba. Ele, que é natural de Guaíra, cumpria pena de 11 anos pelos crimes de roubo e tráfico de drogas. Willian Bronczek Luiz, vulgo 'Gordinho do São Jorge', é natural de Londrina e foi condenado a 33 anos de prisão por homicídio. O cambeense André Cerdeira de Oliveira havia sido condenado a 26 anos de reclusão pelos crimes de assalto a mão armada e homicídio.
O número de agentes penitenciários durante o plantão não foi revelado pela direção da PEL II. Porém, a Folha obteve junto a uma fonte que o grupo não ultrapassava 20 profissionais. ''Estavam em uns 15. À noite a quantidade é bem reduzida'', revelou um agente que preferiu não ser identificado.
A denúncia foi ratificada pelo diretor do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), Adilson Moura. Em Londrina são 380 agentes divididos em três penitenciárias (PEL, PEL II e Casa de Custódia). ''Na PEL II temos 160, mas deveriam ser no mínimo 200. Esse número se desfaz com as escalas de plantão. De qualquer forma, segundo o regimento, o agente é quem faz a segurança interna nos presídios e a Polícia Militar, externa. Não havia nenhum PM na guarita no momento da fuga'', criticou. Ninguém do 5º BPM foi localizado para comentar o assunto.
A Secretaria Estadual de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos realizou no final do ano passado um Processo Seletivo Simplificado (PSS) para contratação de 423 agentes penitenciários. Os aprovados devem ser chamados neste primeiro semestre.


