Rio, 25 (AE) - Três menores morreram e pelo menos quatro ficaram feridos durante uma briga de gangues rivais de funk num baile no Clube Chaparral, em Bonsucesso, na zona norte do Rio, ontem. No tumulto, várias pessoas foram pisoteadas. Os estudantes Bruno Lopes Escobar, de 16 anos, Bruno de Souza Machado, de 14, e Bráulio Vieira dos Santos, de 12, com ferimentos graves, já chegaram mortos ao hospital. Os quatro feridos, cujo nomes não foram divulgados pela polícia, foram medicados e liberados. Ninguém foi preso.
O delegado da 21ª Delegacia Policial (Bonsucesso), Jorge Campos, disse que a confusão entre as gangues começou no meio do salão - onde uma faixa vermelha divide o espaço que cada grupo deve ficar - após um desentendimento. "Estamos investigando os motivos da briga. Vamos ouvir as vítimas, as famílias dos jovens mortos e a direção do clube", afirmou o delegado. O clube já havia sido autuado pelo Juizado de Menores por vender bebida alcoólica e permitir a entrada de menores nos bailes funk, o que é proibido por lei.
Segundo testemunhas, a briga, ocorrida ontem à noite, teria sido protagonizada por galeras rivas de funk da Favela Nova Holanda, no Complexo da Maré, e do Morro do Adeus, do Complexo do Alemão, ambos da zona norte. As armas usadas no confronto pelos grupos rivais encobriam ainda hoje o chão do clube: cacos de vidro e pedaços de madeira cheios de pregos. A direção do clube não quis comentar o tumulto. Furacão 2000 - A maior organizadora de bailes funk do Rio, a empresa Furacão 2000, está ameaçada pela Justiça com mais de cem autos de infração, por promover bailes em clubes sem alvará de licenciamento e também pela presença de menores neste tipo de evento com a venda de bebidas alcoólicas. No sábado à noite, o Juizado de Menores apreendeu, momentos antes de começar um baile no Clube Cassino Bangu, na zona oeste, a aparelhagem de som e luz da Furação 2000.
"Isso foi absurdo, porque não sou responsável pela venda de bebidas", desabafou o dono da empresa, Rômulo Costa, de 45 anos. "A Furacão é contratada pela direção dos clubes apenas para colocar o som nos bailes", defendeu-se. De acordo com o Juizado de Menores, o total das multas da empresa pode chegar a R$ 170 mil, pois cada uma das atuações implica em multa de dez a 15 salários mínimos. Costa produz em média de 15 a 20 bailes por fim de semana, a maioria em clubes nas zonas norte e oeste do Rio. O empresário só pode ter o equipamento de volta mediante pagamento das multas.

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