Curitiba- Dois acidentes graves nas vias alternativas marcaram as primeiras 24 horas da interdição de 130 quilômetros da BR-476, entre Lapa e Paulo Frontin, Sul do Estado. Na terça-feira à noite duas crianças morreram e quatro pessoas ficaram feridas em uma colisão entre um carro e um caminhão na PR-151. Ontem pela manhã, João Francisco de Oliveira Lima, 26 anos, que dirigia um caminhão de Palmeira das Missões (RS), tombou o veículo na PR-153 e morreu na hora.
A rodovia foi interditada na terça-feira à tarde pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) devido ao péssimo estado de conservação. A medida aumentou o movimento nos desvios e está gerando reclamação dos comerciantes das margens da estrada. O mau estado de conservação, que levou à interdição, aconteceu porque nem o DER e nem Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit) reconhece a responsabilidade pela rodovia.
Na terça-feira à noite, o carro de uma família de São Mateus do Sul (que fica no meio do caminho da rodovia interditada) bateu de frente com um caminhão ao sair da cidade. Marcela Portes Romano (8 anos), e Ana Luiza Portes Romano (1), morreram. O pai das crianças, Marcelo Romano, 40 anos, a mãe, Eliara Portes Romano, 35 anos, e outras duas filhas, Amanda Carolina Portes Romano (5), e Paloma Portes Romano (11), estão internados no hospital de São Mateus.
A Polícia Rodoviária Estadual (PRE) afirmou que não pode precisar a causa dos acidentes. Afirmou que o movimento intenso e a falta de conhecimento das estradas podem ter contribuído.
O presidente da Associação Comercial, Industrial e Agrícola de São Mateus do Sul, Valdir Jorge Moreira, reconhece o grave problema da BR-476, mas afirma que o bloqueio é pior ainda para a economia da região. ''Nos prejudica. É mais difícil escoar a safra de erva-mate e outros comércios que precisam receber os fornecedores ou levar mercadorias para outros locais. Nós achamos que a forma que foi feito é meio drástica'', reclamou.
Aílson Marin, proprietário do posto de gasolina Marin, que fica no trecho interditado, reclama de prejuízo desde o início do mês, quando a ponte sobre o Rio Iguaçu, na rodovia, foi interditada. ''O lucro, em média, diminuiu em 50%. Principalmente a venda de diesel. Já dei férias para dois funcionários'', contou.
A prefeitura de União da Vitória havia marcado para ontem um protesto reivindicando providências para restaurar a rodovia. Mas, devido à chuva forte que caiu na região, a manifestação foi remarcada para o próximo dia 9.
O prefeito de União da Vitória, Hussein Bakri (PSDB), concorda com a interdição porque acha que dá mais visibilidade ao problema. Por outro lado, Bakri afirma que o desvio está fazendo com que caminhões entrem na cidade para ir a Porto União (SC) e depois seguir até Curitiba, complicando o trânsito.
Os 130 quilômetros interditados fazem parte dos 945 km alvos de uma briga jurídica por causa da Medida Provisória 82, de 2001, na qual a União transferiu os trechos para o Estado. Este por sua vez não reconhece a transferência porque a transformação da MP em lei foi vetada.

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