Três mil carros passaram ontem pela benção de veículos realizada durante a Festa de Coroação no Santuário de Nossa Senhora de Aparecida, na Vila Nova (Área Central). Tradição que acompanha a festa desde a primeira celebração, há cerca de 15 anos, a benção foi realizada pelos diáconos Renê Orticelli e Rivaldo Viani, e foi marcada por demonstrações das mais variadas aplicações da fé.
De acordo com o coordenador geral da Coroação, Roberto Ambrósio, a festa reuniu mais de 25 mil fiéis durante todo o dia. A programação, que começou às seis horas da manhã, teve missas de hora em hora. Ao meio dia aconteceu a tradicional queima de fogos e a benção oferecida aos motoristas.
O ponto culminante da festa foi a procissão pelas ruas da Vila Nova, que começou logo depois da última missa do dia, celebrada pelo padre Tranquilo às 18 horas. No final da procissão, já de noite, os fiéis se emocionaram com a Coroação da Santa, ritual que também se repete todos os anos.
Para conseguir a benção, os motoristas não se importaram de enfrentar fila e espera. Os diáconos ressaltaram a fé mas aproveitaram para dar conselhos práticos: ''Eles vêm até aqui em busca de proteção e graça'', destacou o diácono Renê. ''E, é claro que a alcançam, se tiverem fé'', lembrou. ''Mas a benção não apresenta qualquer efeito se a prudência não acompanhar os motoristas''.
Carros novos e antigos, caminhões, motos e até bicicletas passaram pela Rua Grajaú, onde a benção foi concedida. Entre eles, o vendedor Ivo Aparecido da Silva, que participa da procissão desde que adquiriu o primeiro carro, há quatro anos. O objetivo, porém, não era exatamente conseguir proteção. ''Trabalhei quatro anos como taxista e nunca sofri nada. Mas na verdade, sempre venho aqui para garantir bons negócios na hora de vender o carro'', disse, lembrando de três outros carros que, segundo ele, foram bem vendidos logo após serem benzidos na procissão.
Motociclistas, que segundo informações do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), respondem por 10% da frota nacional de veículos mas estão envolvidos em 20% dos acidentes, foram em grupos para buscar proteção divina. ''Viemos em seis motociclistas para abençoar nossos veículos'', contou o funcionário público Peterson Carvalho, que esteve no santuário pela primeira vez. ''E mesmo que não tenha sido abençoado antes, sempre me senti protegido. Ando de moto há 16 anos e nunca sofri um acidente''.

mockup