Arquivo FolhaReforçoJosé Rainha, líder nacional do MST, chega a Cuiabá amanhã A sede do Incra em Cuiabá, no Mato Grosso, foi ocupada ontem por integrantes do MST. Os sem-terra chegaram ao Incra às 5 horas da manhã com foices e equipamentos que utilizaram na armação de dezenas de barracas no estacionamento dos funcionários do órgão. A parte interna do prédio do Incra teve todos os seus corredores e espaços ocupados por centenas de sem-terra.
Na entrada da sede foram hasteadas as bandeiras do MST e diversas faixas cobrando ação e agilidade do governo federal na execução da reforma agrária. Até às 15 horas de ontem, mais de três mil pessoas entre idosos, jovens e crianças se comprimiam na sede do instituto. Do lado de fora, integrantes do movimento pediam a reforma agrária.
Os sem-terra vieram dos 17 assentamentos existentes nas regiões sul, sudeste e do médio norte de Mato Grosso. Trabalhadores de dois acampamentos do MST montados nas cidades de São José do Povo e Cáceres, com três mil famílias, completavam os três mil trabalhadores mobilizados pelo movimento. ‘‘É a nossa maior manifestação organizada desde o início de nossas atividades em Mato Grosso’’, diz, orgulhoso, Valdir Mesnerovisz, líder do MST. Além da área do Incra, os sem-terra, ao longo do dia, ocuparam também um terreno de propriedade do governo estadual, localizado na frente do órgão federal e que antes era ocupado pela Cohab, Companhia de Habitação do MT.
‘‘Estamos aqui para denunciar o descaso do governo, que promove as desigualdades sociais’’, diz Valdir, acrescentando que ‘‘só admitimos desocupar o prédio depois de serem resolvidos todos os casos pendentes’’. Os sem-terra cobram o fornecimento de alimentação para 2.503 famílias em fase inicial de assentamento no Estado e também para as três mil famílias acampadas em Cáceres e Rondonópolis. Além disso, exigem o assentamento definitivo de todas as famílias acampadas em diversas cidades no Estado de Mato Grosso. A lista das áreas reivindicadas pelo MST já foi entregue à direção do Incra.
Os convênios relativos ao Projeto Lumiar (equipes técnicas) e assinatura de convênios de assessoria jurídica (prestação de serviços aos sem-terra) engrossam a pauta de negociação apresentada pelo MST ao governo do Estado e Incra. O movimento quer também a liberação de créditos do Procera e fomento para alimentação, habitação e obras nos assentamentos.
Ontem, os sem-terra passaram o dia preocupados com a organização interna do acampamento. Todos trabalhavam na preparação de condições de permanência e para a visita de José Rainha, líder nacional do movimento, que chegará a Cuiabá amanhã.
O MST iniciou suas operações no Estado em agosto de 95, durante a ocupação da Fazenda Aliança, em Rondonópolis. Na quinta-feira, os sem-terra participarão de um acampamento de desempregados na zona central da capital. (Leia mais sobre o assunto no caderno Folha Cidades)

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