Três menores fogem durante a madrugada; MP quer interditar complexo
São Paulo, 26 (AE) - Três menores fugiram do Complexo Imigrantes da Febem, na noite de ontem. Escondidos em sacos de lixo, perto de uma quadra esportiva, eles não foram percebidos pela vigilância, pularam o muro e escaparam. Um deles foi recapturado.
Com três das quatro alas completamente destruídas, o complexo deve ser interditado, conforme o Ministério Público. A ação judicial determinando o fechamento será impetrada até o fim da semana. A ala D, a única a não ser atingida pelo incêndios e depredações, estava em reforma. "Não há condições de os internos permanecerem lá", diz Wilson Tafner, promotor da Infância e da Juventude da capital.
Os promotores de Justiça da Infância e Juventude também exigem a imediata transferência dos 130 menores que estão provisoriamente instalados, desde anteontem, no Centro de Observação Criminológica (COC), vinculado ao Complexo do Carandiru. A permanência dos jovens no COC caracteriza mais uma violação de direitos fundamentais, de acordo com o promotor Ebenezer Salgado Soares. "Tememos que a estadia irregular, em local completamente inadequado, seja prolongada por tempo indeterminado", comentou o promotor.
Ele pediu à juíza Mônica Paukosk, que acompanha o caso, que fixe um prazo para a transferência dos adolescentes para outras unidades da Febem. À fundação, segundo o Ministério Público, cabe encontrar local disponível e com infra-estrutura para abrigar os internos. Uma sugestão dos promotores é o aproveitamento das unidades do Complexo Tatuapé, que hoje são utilizadas como presídio feminino.
"O governo poderia reformar o prédio e abrigar 500 menores", disse Tafner. O problema decorrente seria onde alojar as presas. Prejuízos - Os prejuízos no complexo Imigrantes ainda não foram calculados pela Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado. Segundo informações da Assessoria de Imprensa, uma equipe de técnicos deve completar a vistoria do complexo para fazer a avaliação até o fim da semana.
O promotor Soares acredita que, após investigação, os menores responsáveis pelas mortes e depredação do patrimônio público podem ser responsabilizados criminalmente. "Em tese, funcionários e até o governador podem responder pelos crimes".
Na tarde de hoje, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) divulgou uma nota manifestando indignação diante da conduta "inconsequente e irresponsável" do governo. Assinado pelo presidente da entidade, Rubens Approbato Machado, o texto ressalta que, ao afirmar não ver solução para a situação da Febem, o governador Mário Covas lava as mãos. "Trata-se de um atestado público de incompetência".





