Três jornais deixam de circular na Venezuela por falta de papel
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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Agência Brasil 
Os diários El Guayanés, El Venezolano e El Expreso deixaram de circular no estado Bolívar devido a falhas registradas com a alocação de recursos para importar papel de jornal. A situação já havia sido avisada pelo sindicato e noticiada pela imprensa há vários dias.
Outros três veículos impressos tem papel para poucas semanas. É o caso de El Correo del Caroní, El Progreso e Notidiário. O presidente do diario El Guayanés e Notidiario, Alexander Andrade, qualificou a situação de suas empresas como um "fechamento técnico" ou temporal, pois disse que quando o governo conceder as divisas à importadora que fornece papel às rotativas, o periódico voltará a funcionar.
O Instituto de Imprensa e Sociedade Venezuelano (Ipys, na sigla em espanhol) estima que, na primeira quinzena de 2014, ao menos 21 jornais impressos de nove Estados do País reportaram dificuldades para adquirir papel por restrições na entrega de divisas. Desde setembro, sete periódicos deixaram de circular de fim de semana ou permanentemente. Outra prática comum tem sido reduzir o número de páginas.
Na Venezuela, um país dependente de importações, vigora um severo controle de câmbio desde fevereiro de 2003 e se tornou mais difícil para empresas de imprensa conseguiram repasse de dinheiro do setor privado.
O diário El Correo del Caroní, com 36 anos de circulação, teve que reduzir o tamanhio do jornal, situação que os obrigou a complementar as matérias na plataforma digital para continuar informando o público e manter a contratação de seus funcionários.
O Colégio Nacional de Jornalistas (CNP na sigla em espanhol) na cidade se pronunciou diante dessa situação. A secretaria geral do CNP-Guayana, Angélica Fereira, qualificou de "lamentável" o que está ocorrendo com a imprensa e explicou que no estado de Bolívar se produz a madeira, que é enviada para o Chile, onde o papel é fabricado. "Não temos papel porque não temos recursos", afirma e qualifica que o fechamento dos três veículos é um "golpe" ao exercício do jornalismo.
"É uma situação de emergência. Não é que se está fechando um meio, mas uma fonte de emprego. Nós temos uma crise há muito tempo com o papel jornalístico na Venezuela", observou a Secretaria Geral da entidade.


