São Paulo, 01 (AE) - Uma briga entre quadrilhas rivais de traficantes de drogas é a principal suspeita da polícia para o assassinato de três homens nesta madrugada na Favela Heliópolis, na zona sul de São Paulo. Os matadores amarraram as vítimas e deram um tiro na nuca de cada uma. Desafiando a polícia, abandonaram os corpos a cerca de 100 metros do 95.º Distrito Policial e da 5.ª Companhia do 3.º Batalhão da Polícia Militar. Os corpos foram encontrados por volta das 6 horas, em uma viela da Rua 26 de Outubro.
A quadrilha liderada por Wilson de Souza, conhecido como Barriga, que domina o tráfico de drogas na Favela Paraguai, na Vila Prudente, estaria em guerra com o grupo rival liderado por Sujeirinha, que substituiu Valério Cotta de Oliveira, o Carioca, na chefia do tráfico na Favela Heliópolis. Carioca foi morto no dia 13. Na sexta-feira, cinco pessoas foram mortas e seis ficaram feridas na Favela do Paraguai. Para a polícia, as mortes podem estar ligadas à disputa entre esses grupos.
Nenhuma vítima havia sido identificada até o começo da noite de hoje. Ninguém procurou a polícia para contar o que havia ocorrido. "Aqui ninguém fala nada, ninguém sabe de nada"
disse o chefe dos investigadores do 95.º DP, Carlos Barbosa do Amaral. Havia um rastro de sangue de quase 50 metros, que começava na Rua 26 de Outubro e entrava na viela cimentada de 5 metros de largura onde foram achados os corpos. "Pelo rastro, tudo leva a crer que isso foi uma desova", disse o investigador.
Os corpos estavam com as mãos e pés amarrados com fios elétricos. Os assassinos retiraram os sapatos do pé esquerdo das vítimas. "É uma forma de a malandragem dizer que esse pessoal 'pisou na bola' e por isso merece morrer", disse o soldado Constantino Correa de Almeida, do 3.º Batalhão da PM. "Eles matam hoje aqui e, depois, o pessoal daqui vai lá revidar", afirmou o policial militar.
No local havia alguns projéteis usados. "Parece que, aqui, eles ainda atiraram nas vítimas para terem certeza de que as haviam matado", afirmou o soldado Maurício Gonçalves Siqueira. Para a polícia, o crime ocorreu de madrugada. No fim da manhã, policiais do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa foram ao local, mas não detiveram ninguém.
Guerra - Em dezembro, a guerra pelo controle do tráfico na Favela do Paraguai deixou pelos menos 18 mortos. Foram três chacinas nos dias 2, 4 e 5 daquele mês - a primeira delas foi também a maior do ano passado em São Paulo, com nove mortos. O crime de hoje foi a 19 ª chacina do ano na região metropolitana de São Paulo. Ao todo, 67 pessoas já morreram. No ano passado, haviam sido registrados 88 casos, com 302 pessoas assassinadas.