Três grande bancos emitem documentos com data errada
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de dezembro de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 14 (AE) - A menos de três semanas do ano 2000, o bug do milênio já mostrou o pânico que poderá provocar. Três grandes bancos do País apresentaram erros de datas em documentos. Segundo o coordenador do Procon doRio, átila Nunes Neto, um dos principais problemas do bug que poderão acontecer é o desaparecimento da conta corrente ou da poupança durante a virada do ano. Isso porque o computador poderá ler a data de 1900, por exemplo, e desconsiderar os dados.
"Nossa orientação é para que os consumidores mais preocupados com o fato busquem tirar um extrato, entre os dias 27 e 29 de dezembro, com todas as suas movimentações bancárias do período", afirma Neto. "Assim, ele poderá compará-los com os dados registrados pelo sistema bancário a partir do primeiro dia útil de 2000". Ele não recomenda, porém, que os clientes procurem o banco no dia 30, porque provavelmente haverá um congestionamento do sistema.
Nas últimas semanas, o Bradesco, o Itaú e o Santander emitiram documentos com datas erradas, embora não se tenha provado que estivessem realmente relacionados com o bug. Um cliente carioca do Bradesco revelou, ontem, que, em setembro passado, um extrato emitido pela instituição tinha data de 17 de setembro de 2019.
Na semana passada, o Procon do Rio divulgou nota com a mesma reclamação feita por dois clientes do Itaú. Eles receberam correspondência informando que passariam a pagar taxa de sustação de cheque a partir de 3 de janeiro de 1900, e não de 2000.
No Santander, o problema ocorreu com uma ficha de cobrança emitida em favor do Horto Florestal Ltda, que trazia a data de 18 de outubro de 2099 - quase um século depois do vencimento do título, em 15 de fevereiro de 2000. "O Banco Central está tomando todas as providências para evitar possíveis prejuízos em relação ao bug, mas os recentes casos mostram que as falhas existem", disse átila Nunes Neto.
O diretor de Marketing do Bradesco, José Carlos Perri, informou que o erro na data do extrato mostrado pelo cliente foi consequência de um teste feito pelo banco para o bug. "Não foi um problema grave, porque a falha ocorreu na data de emissão do extrato, que é uma informação secundária, e não na data de pagamento", explicou.
Segundo Perri, o problema ocorreu em um lote que já foi detectado e corrigido. "Não podemos neurotizar a questão do bug", afirmou. Ele disse que o Bradesco vem fazendo testes desde 1992 e que a instituição está preparada para a virada do ano.
Já o Itaú informou que o erro na correspondência foi "falha humana". "Não tem nada a ver com o bug do milênio", garantiu o diretor da relações institucionais da instituição, Alduos Galetti. "O próprio Banco Central analisou o problema e viu que o erro era humano." Galetti explicou que a falha ocorreu na área operacional do banco por um digitador que utilizou um modelo de correspondência com data desatualizada. O documento, explicou o diretor do Itaú, acabou sendo enviado para os clientes sem que fosse verificado como é de praxe. "Nós percebemos o erro e emitimos uma segunda carta aos clientes, mas
mesmo que não fizéssemos isso, não haveria qualquer consequência na movimentação de conta", disse Galetti.
Apesar os erros registrados pelas três instituições financeiras, o sistema bancário brasileiro, segundo pesquisa de junho desse ano da Confederação Nacional da Indústria (CNI), é o setor mais bem preparado do País para enfrentar o bug. O Estado procurou a assessoria do Banco Santander, mas até às 18h30 ela não havia retornado a ligação.


