Três empresa apresentam proposta para leilão de 'espelho' em São Paulo
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quinta-feira, 18 de março de 1999
Por Gustavo Paul 
Brasília, 19 (AE) - Três empresas apresentaram hoje propostas para disputar o leilão da empresa espelho de telecomunicações que irá concorrer com a Telefônica em todo o Estado de São Paulo. Na apresentação da documentação e das propostas técnicas e de preço ocorrida na sede da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) não surgiram interessados pela empresa espelho da Tele Centro Sul. Segundo o presidente da agência, Renato Navarro Guerreiro, a licença da Tele Centro Sul será dividida por regiões para atrair mais interessados.
O leilão da espelho da Telesp Participações (denominação formal da concessão arrematada pela Telefônica) ocorrerá no dia 23 de abril, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. O preço mínimo da licença é de R$ 70 milhões, correspondente ao valor da garantia depositado na quinta-feira pelos concorrentes. O novo edital para as áreas da Tele Centro Sul deverá ser colocado em consulta pública logo depois do leilão e a expectativa é que as novas licitações ocorram em setembro.
Com três concorrentes, a disputa pela espelho da Telesp será a mais acirrada entre as quatro empresas espelho. Os sócios da Canbrá Telefônica, que já arremataram a licença para operar a espelho da Tele Norte Leste, formaram a empresa Megatel do Brasil para concorrer pela espelho da Telesp. Fazem parte da Megatel, a Qualcomm do Brasil, a operadora Bell Canadá, a americana WLL International e o grupo argentino Liberman. Apenas a Taquari, do Grupo Vicunha, integrante da Canbrá, não participa da Megatel.
Também está no páreo o consórcio Rio de La Plata, formado pela operadora estatal uruguaia Antel e pelo grupo argentino Macri. No primeiro leilão das empresas espelho, a Antel desistiu de participar da licitação, depois que se tornou público sua intenção de se associar com a Telecom Italia. Como a empresa italiana já participa da Tele Centro Sul, esta associação impediria a entrada da Antel no leilão das espelho. "Não foi possível fazer parceria com a Telecom Italia", admitiu o vice-presidente da Antel, Simon Erlichman Eidelman.
A terceira interessada em concorrer com a Telefônica é a Teleglobal S/A, empresa brasileira de informática, com sede em São Paulo e que opera o sistema de "trunking" (espécie de telefonia móvel celular restrita para uso de empresas) na capital paulista. Segundo o vice-presidente da empresa, Luiz Henrique Poleto, a Teleglobal tem como sócio a empresa coreana Kowecon, que também atua no setor de telecomunicações.
O edital de licitação estabelece que a empresa-espelho da Telefônica terá que atender a capital e 50% dos municípios com mais de 200 mil habitantes até o final do ano, com uma densidade mínima de 0,6 telefones para 100 habitantes. A espelho terá liberdade tarifária e não precisará atender às obrigações de universalização das concessionárias, ou seja, a necessidade de atender a todas as localidades do Estado de São Paulo. A partir de janeiro de 2002 as espelho poderão pedir para operar em todo o País, fazendo inclusive ligações de longa distância internacional.
Renato Guerreiro adiantou hoje que a divisão da licença da espelho da Tele Centro Sul deverá respeitar alguns parâmetros. O primeiro é a atratividade do negócio. Ele lembrou que uma licença no Acre só se torna interessante economicamente se agregada a outras.
Outro parâmetro é a continuidade territorial das licenças e o atual plano de numeração. Ele citou como exemplo os Estados da Região Centro-Oeste, cujo código DDD se inicia com 06 (Distrito Federal é 061 e Goiânia é 062, por exemplo). "Teremos que ser mais criativos e flexíveis para atrair investidores", admitiu.
Na primeira licitação para as empresas espelho, cujo leilão ocorreu em 15 de janeiro, só surgiram interessados pelas concorrentes da Embratel e da Tele Norte Leste. A empresa Bonari (formada pela americana Sprint, pela France Telecom e a inglesa Energy) tornou-se concorrente da Embratel, pagando R$ 55 milhões e a Canbrá ficou com a concorrente da Tele Norte Leste, por R$ 60 milhões.


