Dos entrevistados, três devem votar no dia 23. Alex, de 17, ex-Febem, ainda não se decidiu. ''Nessa vida você tanto arruma dinheiro quanto inimigo. E se está andando por aí e alguém faz alguma coisa com você?''
Tião diz que votará ''sim'' porque vê muito acidente acontecendo com o ''zé povinho'' - os cidadãos de bem. ''E tem quem põe a arma na cinta e se empolga, playboy que quer pagar de brabo por causa de arma.'' Rafael é contrário ao desarmamento. ''Só os policiais vão ficar armados. Hoje, quando eles entram na favela, já morre inocente que não tem nada a ver.''
Apesar de não votarem, os presidiários Roberto, João e Marcelo apóiam o desarmamento. ''Vai evitar filho matando pai, vizinho com vizinho. Mas, para diminuir mesmo, é preciso emprego. Nas cadeias tem um monte de zé povinho. Que tinha serviço, perdeu e foi roubar'', diz Roberto.
''Aqui a maioria é pelo 'sim''', afirma João, do CDP. ''Muitos tomaram tiro sem nem saber o porquê ou fizeram besteira em briga de bar e se arrependeram.'' Embora haja também, segundo ele, os que defendam o ''sim'' para lucrar com o contrabando. ''Os envolvidos com facção dizem que desarmando é melhor. Comprar arma no Paraguai é como comprar doce.''
Marcelo, também preso no CDP, acha que o desarmamento reduzirá a criminalidade. ''Com arma, na hora do nervoso, o pessoal sempre faz besteira.'' (L.G.)

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