Três desaparecem em confronto
Três desaparecem em confronto
Agência Estado
O primeiro e mais sério confronto entre sem-terra e a Polícia Militar, em Goiás, deixou ontem um saldo de vinte pessoas presas, oito feridos - entre elas, dois policiais - e três desaparecidos. O confronto aconteceu quando um grupo de 270 famílias resistiu à ordem judicial para desocupar a Fazenda Alta Floresta, em Itaguari, localizada a 100 quilômetros de Goiânia e ocupada desde outubro de 1996.
Eram 5h30min quando cerca de 200 soldados, comandados pelo coronel Mendes e o major José Custódio, com armas pesadas, cães, cavalos e um helicóptero iniciaram a operação de despejo. A polícia esbarrou na resistência dos sem-terra e na reação com pedras, porretes e bombas de fabricação caseira, segundo o coronel.
No confronto, seis dos sem-terra ficaram feridos - um deles com um tiro na perna - e dois policiais foram hospitalizados, segundo informou o tenente Gerson Pinho, do Comando Geral da PM. O soldado José Nilton foi internado em estado grave, atingido na cabeça com golpes de porrete. Os médicos suspeitam que o cabo França esteja com os tímpanos rompidos. Ainda não sabemos se ele foi atingido por um morteiro ou por uma bomba caseira, afirmou o tenente.
Entre os presos estão líderes dos sem-terra como Sebastião Fernandes, o Zé do Facão, e Aparecido Ramos. Também foi presa uma mulher grávida e um menino de 15 anos, Isaías, liberado após ser identificado. Segundo Permínio Luiz Ferreira, da Direção Estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), os números do confronto são maiores que os anunciados pela polícia.
Segundo a versão dos sem-terra, um dos líderes do MST, Hélio Gonçalves, está desaparecido. Além dele, Divino de Souza Magalhães, teria sido pisoteado pelos cavalos e Walter Nunes, baleado na cabeça, não constam da lista oficial de feridos. O confronto foi provocado pela polícia, acusou Ferreira. O tenente Camargo atacou o sem-terra com roupas civis, um boné vermelho, e com o cavalo pisoteou cinco vezes o Divino, disse.
Os feridos, com exceção de um soldado, estão no hospital de Itaguari, onde não constam os nomes de Magalhães e Nunes. O soldado José Nilton, em estado crítico, foi o único a ser transferido de helicóptero para o Hospital Santa Genoveva, em Goiânia. Os presos estão na Delegacia de Itaguari, onde a juíza Sandra Regina Teixeira Campos determinou, no dia 12 de maio, a desocupação da fazenda de 1.800 hectares, considerada improdutiva pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).





