Guarulhos, SP, 02 (AE) - O vereador Wanderley Simone Figueiredo (PL) foi o único dos quatro parlamentares guarulhenses denunciados por corrupção passiva e compulsão a não comparecer à primeira sessão ordinária do ano na Câmara de Guarulhos, realizada hoje.
Waldomiro Ramos e Oswaldo Celeste, do PTB, o segundo, presidente afastado da Casa, e Fausto Marcello (PPB) estiveram na sessão, na qual se discutiu, entre outros temas, a abertura aprovada por 14 votos de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para julgar o prefeito Jovino Cândido (PV) por problemas de abastecimento de água da cidade.
A abertura da CEI foi aprovada. Jovino Cândido acusara 12 vereadores, entre eles os quatro que tiveram mandado de prisão expedidos contra eles, de pressioná-lo por cargos e vantagens na administração pública.
Também citado pelo Ministério Público num mandado de prisão, o assessor da Câmara, José Carlos Patrão, compareceu à sessão, assim como outro indiciado, Antonio Carlos Simões, o Nenê, que apareceu rapidamente na Casa.
Nenhum dos acusados respondeu às perguntas da reportagem da Agência Estado.
O presidente afastado Oswaldo Celeste disse apenas que não reassumiria suas funções na presidência. Desde a prisão dele, Ramos e Marcello em 7 de dezembro do ano passado, o vereador Paulo Carvalho (PL) ocupa a presidência da Casa.
"Os nossos advogados nos orientaram a não falar nada, para não sermos mal interpretados pela Justiça", argumentou Celeste. "Estou com a cabeça muito quente e preciso pensar um pouco no que vou fazer daqui em diante."
O Tribunal de Justiça (TJ) ainda não julgou o mérito do habeas-corpus que libertou, em 13 de dezembro, os parlamentares que estavam presos no 29º DP, na Vila Diva, onde ficaram detidos junto com o ex-vereador paulistano Vicente Viscome.
A votação do habeas-corpus no TJ está prevista para a próxima semana, mas o julgamento já foi adiado duas vezes.
Embora não tenham falado com a imprensa, os vereadores conversaram bastante entre si e com alguns dos seus pretensos acusadores. Antes de começar a sessão, que iniciou-se com quase uma hora de atraso, Ramos falou durante um longo período com o colega de partido Roberto Ribeiro, que é presidente da Comissão Processante (CP) que julgará seu pedido de cassação, aberta por requisição do Partido dos Trabalhadores, uma semana depois da prisão dos parlamentares.
Outra Comissão Processante julgará o pedido de cassação dos mandatos de Celeste, Marcello e Figueiredo. As comissões devem começar em breve a ouvir as testemunhas, entre elas fornecedores da Casa, que acusam os vereadores de corrupção passiva.
O vereador que não compareceu à câmara é o mesmo que ficou foragido quando foi decretada a prisão preventiva dos quatro parlamentares. Ele foi o único a não ser preso.