Três americanos dividem o Nobel
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segunda-feira, 12 de outubro de 1998
Reuters 
Três cientistas dos Estados Unidos foram declarados ontem ganhadores do Prêmio Nobel de Medicina de 1998. Robert Furchgott, Loius Ignarro e Ferid Murad são os escolhidos deste ano por suas descobertas relacionadas ao óxido nítrico como uma molécula muito significativa no sistema cardiovascular, informou, em Estocolmo, o Instituto Karolinska da Suécia.
Os resultados desses estudos também são relacionados à produção da droga contra a impotência Viagra, que tem como elemento-chave o óxido nítrico.
Os pesquisadores norte-americanos vão dividir o prêmio de US$ 955.500. Durante muito tempo o óxido nítrico foi considerado somente um poluente do ar, mas os estudos de Furchgott, Ignarro e Murad o revelaram como uma molécula sinalizadora no sistema cardiovascular. A descoberta tem aplicações no tratamento de doenças cardiovasculares, provavelmente contra câncer, assim como contra impotência, informou o instituto sueco.
O óxido nítrico é um gás que transmite sinais no organismo - permitindo que mensagens sejam enviadas de uma parte do corpo para outra - e regula a pressão arterial e a circulação. A transmissão do sinal por um gás que é produzido pela célula e penetra nas membranas, regulando a função de outras células, representa um princípio novo de transmissão de sinais nos sistemas biológicos, revelou o instituto.
Robert Furchgott, farmacólogo da State University of New York (Suny) de 82 anos, estabeleceu em 1980 que os vasos sanguíneos dilatam-se, ou ficam mais grossos, porque suas células da superfície interna - o endotélio - produzem uma molécula sinalizadora que faz com que as células musculares relaxem. Furchgott batizou o fator responsável pelo relaxamento dos vasos de EDRF. A partir daí se iniciou uma corrida mundial para identificá-lo.
Ferid Murad, doutor em farmacologia e atualmente na Universidade do Texas (Houston), descobrira em 1977 que as drogas vasodilatadoras agiam pela emissão de óxido nítrico, substância que, segundo determinou, atuava relaxando as células da musculatura lisa dos vasos. Murad, de 62 anos, ficou fascinado com a idéia de que um gás pudesse regular importantes funções celulares e supôs que fatores internos como hormônios poderiam agir por meio do óxido nítrico. No entanto, não havia na época prova experimental dessa idéia.
Murad declarou ontem que estava muito surpreso e feliz, pois não esperava a premiação e adiantou que o gás poderia ser usado no tratamento de asma, artrite e câncer.
Mas foi Louis Ignarro, de 57 anos e farmacólogo da Universidade da Califórnia (Los Angeles), quem conseguiu a prova final. Após uma brilhante série de análises, algumas feitas em parceria com Furchgott, demonstrou que o EDRF identificado era o óxido nítrico, resolvendo definitivamente o problema.
Foi um grande passo descobrir que o óxido nítrico, um poluente do ar formado com a queima do nitrogênio, expelido por motores de carro por exemplo, pudesse exercer funções tão importantes no organismo.
Encontrado na maioria dos seres vivos e produzido por diversas células, o gás controla a pressão arterial ao dilatar as artérias, afeta o comportamento ao ativar as células nervosas e, quando produzido nos glóbulos brancos, torna-se tóxico em relação a bactérias e parasitas invasores. Hoje, alguns cientistas estão testando se poderia ser usado para deter o crescimento de tumores cancerígenos.
Ele (Ignarro) descobriu o princípio que levou ao uso do Viagra como uma droga contra a impotência, afirmou Sten Orrenius, professor de toxicologia do Instituto Karolinska. O remédio, produto de pesquisas sobre doenças cardiovasculares, trata a impotência por meio da dilatação dos vasos sanguíneos do pênis.
Os prêmios serão entregues no dia 10 de dezembro, data do aniversário da morte de Alfred Nobel, o sueco que inventou a dinamite.


