Trem que divide Cambé mata estudante
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quarta-feira, 04 de novembro de 2009
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Cambé - Renata Clemente Viana, uma estudante de 11 anos, cursava a 6ªsérie do Colégio Estadual Olavo Bilac, em Cambé. Ela voltava para casa no final das aulas de ontem. Morreu quando cumpria um ritual de todos os dias: atravessar a linha férrea que corta a zona urbana e divide a cidade ao meio. A adolescente tentava encurtar o caminho por entre os vagões quando o trem se movimentou. Ela caiu e morreu instantaneamente. Uma outra estudante da mesma escola também se desequilibrou e teve ferimentos gravíssimos.
O acidente aconteceu no pátio de manobras da ALL, por volta das 17h30. Segundo relato da moradora Ivone Ribeiro, que aguardava para transpor a linha junto com mais de 50 crianças, a composição estaria parada e teria começado a se movimentar sem qualquer aviso ou alerta, quando todos imaginavam que permaneceria estacionada. Quando o trem parou, todo mundo começou a passar por entre os vagões mas, sem aviso, ele deu um tranco e voltou a andar. Neste momento, vi quando as duas meninas caíram e o trem passou, contou a moradora.
O operário Balbino Santana ouviu os gritos de desespero e correu para ajudar. Arriscando a vida, porque o trem ainda se movimentava, conseguiu retirar uma das vítimas, Brenda Stábile, de 12 anos, que gritava por ajuda. A estudante foi levada para o Hospital Universitário com ferimentos graves nas pernas e braços. Só peço desculpas ao pai da Renata, por não ter conseguido salvar a filha dele também, disse.
Revoltados, moradores ameaçaram bloquear a ferrovia e reclamaram que a trincheira, promessa de décadas e que facilitaria a vida da população, nunca saiu do papel. Moro aqui há 36 anos e todo dia é isso. O trem manobra justo no horário da saída das crianças e não tem ninguém para alertá-los. E a gente fica esperando a trincheira, criticou Sandra Regina Ceballos, presidente da Associação de Pais e Mestres do colégio onde estudava as vítimas. Ao lado do local do acidente fica a placa indicado a obra que, segundo a Prefeitura Municipal, será iniciada nos próximos dias.
Em nota, a ALL lamentou o ocorrido e informou que o trem tinha 103 vagões e seguia de Apucarana para Londrina. Baseada em informações da Polícia, a empresa alegou que as crianças estariam passando entre os vagões, onde não há visibilidade pelo maquinista. A ALL reforçou que realiza palestras educativas em escolas, alertando os estudantes e que, desde 2001, teria reduzido em mais de 50% os acidentes em passagens de nível.


