Trem acidentado ultrapassou sinal vermelho
Londres, 08 (AE-AP) - O choque de trens de terça-feira na estação londrina de Paddington - um dos mais graves da história ferroviária da Grã-Bretanha, que pode ter deixado mais de cem mortos - ocorreu em consequência da ultrapassagem do sinal vermelho por uma das composições, informou hoje (08) a Agência de Saúde e Segurança (ASS) do governo. Destacando o "caráter ainda preliminar" de sua investigação, a ASS acusou o expresso da empresa Thames Train de ter desrespeitado a sinalização e provocado o acidente.
"Não estamos indicando, pelo menos por enquanto, que a responsabilidade é do maquinista, mas, sim, que houve uma falha", ressalta o relatório, apresentado pelo inspetor-chefe do serviço de estradas de ferro, Vic Coleman.
A sinalização cruzada inavertidamente pelo expresso da Thames é a 109. Segundo o sindicato dos ferroviários, esse semáforo está instalado em local impróprio (em meio a postes da rede elétrica), fugindo à visão dos maquinistas em determinados ângulos. "O 109 já provocou oito acidentes desde 1993 e nenhuma providência foi adotada para melhorar sua posição", acusa a central sindical.
O relatório preliminar oficial concluiu também que o acidente teria sido evitado se o semáforo fosse dotado de um dispositivo conhecido como Sistema de Advertência e Proteção Ferroviária (TPWS). Esse equipamento pára automaticamente um trem que ultrapasse sinal vermelho. Sua instalação foi aprovada este ano pelo governo britânico, mas as empresas não estão obrigadas a adotá-lo antes do ano 2003.
Os técnicos ressaltam que, segundo inspeções ainda superficiais, o sistema de sinalização funcionava perfeitamente no momento do impacto dos dois trens, que bateram de frente a uma velocidade de cerca de 100 km/h. Coleman salientou que uma eventual falha do sistema e um possível erro do condutor são apenas um dos fatores que causaram o choque. "Os motivos pelos quais a composição ultrapassou o sinal vermelho são muito mais complexos e levarão muito tempo para ser determinados com exatidão."
O relatório da Agência de Saúde e Segurança revela também que o trem da Great Western - que tinha autorização para usar a linha naquele trecho - era dotado do sistema de proteção automática de trens ATP, utilizado com sucesso em quase todos os países da União Européia. "Mas o sistema tinha sido desativado pelos mecânicos da Western porque não funcionava", acrescentou Coleman. "Isso, no entanto, não contribuiu para a colisão."
Coleman disse que as investigação será aprofundada. "Além de todas as causas, vamos estudar meios para evitar novas catástrofes e determinar se há bases para a abertura de um processo judicial."
Os socorristas montaram uma grua no local do acidente para remover os escombros e também permitir acesso ao vagão H - primeiro do trem da Western. Esse vagão incendiou-se logo após o impacto. A temperatura subiu ali, segundo cálculos do corpo de bombeiros londrino, a mil graus - uma temperatura muito superior à dos crematórios. Só cinco passageiros conseguiram escapar do interior dele. Segundo dados da Scotland Yard, há pelo menos 127 desaparecidos. "Grande parte dessas pessoas poderia estar viajando no vagão H, de primeira classe", disse o inspetor Andy Trotter. Ele reafirmou que os parentes comunicaram oficialmente o desaparecimento de 70 passageiros. Trinta e três corpos foram resgatados, mas sua identificação está difícil.





