Marcos Zanatta
De Maringá
Um programa de treinamento para ‘‘socializar’’ cães de todas as raças é a novidade que contrasta com o trabalho de adestramento, onde os animais são preparados para reprimir qualquer estranho. Comum nos Estados Unidos e Europa, o Agility está chegando e fazendo sucesso no Brasil. ‘‘Trabalhamos todos os potenciais do cão, principalmente a agilidade e a inteligência’’, diz a instrutora Raquel Ferreira Borges da Silva, da Free Dog, de Maringá, primeiro canil a ter o programa no interior do Paraná.
O Agility, conta Raquel, nasceu na Inglaterra há 21 anos, justamente com o objetivo de socializar os animais. ‘‘Nos países mais desenvolvidos, o cão, não importa a raça, vai com o dono em qualquer lugar’’, explica. No Brasil, a maioria dos locais públicos proíbe cachorros.
A diferença, segundo Raquel, é que o brasileiro compra e cria o cão sem nenhuma referência. ‘‘Enquanto em outros países as famílias estudam cada raça para escolher a ideal, aqui tudo é feito sem nenhum critério. Chegamos a ver gente criando fila dentro de apartamentos, o que é um absurdo’’, diz.
Mas além de conhecer o animal que tem em casa, o proprietário deve fazer um programa de treinamento conforme o objetivo da cão. ‘‘Quem pretende ter um cão de guarda tem que fazer uma preparação adequada. O mesmo para quem quer passear com o animal em qualquer local’’, diz. Ela explica que o Agility não é como os demais esportes para cães. A natação ou a corrida melhoram a aparência do animal, mas não preparam para uma convivência social.
O programa consiste em deixar o animal apto a respeitar o dono, se mantendo comportado e bem em qualquer local. ‘‘O trabalho é valorizar o animal, tirar do canil e oferecer atividades, se acostumar com gente estranha’’, diz. Mas o Agility é também uma competição, onde o cão tem que obedecer o condutor, seja o dono ou o treinador. ‘‘As provas ainda estão começando no Paraná, mas já existem em maior escala em outros estados’’, conta Raquel.
O animal tem que superar obstáculos como pneu, ponte, túnel, gangorra e barreiras para saltos, ao comando do condutor. A sequência da pista é revelada somente no início da competição, e se o cão refuga ou erra, perde pontos. ‘‘A prova exige muito do treinador e mais ainda do animal, porque tem que mostrar o preparo do cão para o comando’’, conta Raquel. O proprietário do canil, Ari Marcos Borges da Silva, explica que a diferença para outras atividades é de justamente integrar o animal a qualquer meio.
Com o Agility, espera ele, os profissionais ‘‘sérios’’ do meio tentam melhorar a imagem dos animais de todas as raças. ‘‘O que mais preocupa são os criadores que não tem critério nem ética, que vendem raças impróprias para famílias sem orientação. O resultado a gente vê na imprensa’’, lamenta Silva.Método Agility, criado há Inglaterra há 21 anos, trabalha todos os potenciais do cão, principalmente a agilidade e a inteligência
Marcos NegriniMarcos NegriniRESPEITO AO DONOPrograma reúne atividades que tornam o cão mais social; a adestradora Raquel Borges da Silva com um dos animais que praticam o Agility

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