Curitiba Quando se fala em diabetes, a primeira coisa que vem à cabeça é a proibição total do consumo de açúcar e de muitos outros alimentos que contenham carboidratos. No entanto, um treinamento promovido pelo Centro de Diabetes Curitiba (CDC), mostrou justamente o oposto e disseminou, entre a classe médica e pacientes, que o planejamento alimentar pode ser um aliado importante no controle da glicemia e na melhoria da qualidade de vida do diabético.
A nutricionista do CDC, Marinês Cristine Silveira, explicou que o planejamento alimentar é baseado na contagem de carboidratos nutrientes responsáveis pelo fornecimento de energia ao organismo e que se transformam em açúcar. Pelo programa, o diabético pode ingerir todo tipo de alimento, inclusive sacarose, em quantidades apropriadas. Segundo ela, com essa flexibilização na alimentação, o médico consegue aumentar em 70% a adesão do paciente ao tratamento.
A dieta, formulada por um nutricionista, considera idade, peso, altura e hábitos de vida do diabético, e estabelece uma determinada quantidade de carboidratos que pode ser ingerida ao longo do dia, sem interferir nas taxas de glicemia. Cada 15 gramas de carboidratos, lembrou Marinês, elevam a glicemia em 45 miligramas. Por isso, essa proporção também é levada em conta.
Para entender o planejamento alimentar na prática, Marinês usa o exemplo de uma mulher com diabetes, de 70 quilos, que precisaria ingerir 1,7 mil calorias diárias. Considerando que ela está um pouco acima do peso ideal, a recomendação é baixar a quantidade de calorias para 1,4 mil. Segundo a nutricionista, essa pessoa poderia ingerir 12 escolhas de carboidratos. Então, o cardápio ficaria assim: café da manhã - duas fatias de pão e um copo de leite (240 ml); meio da manhã - uma fruta; almoço - quatro colheres de sopa de arroz, quatro de feijão, quatro de legumes cozidos, carne (um bife ou meio peito de frango), salada crua à vontade e uma fruta; café da tarde - uma fatia de pão e um copo de leite ou duas frutas; jantar - três colheres de arroz, duas de feijão, quatro de legumes cozidos e carne.
Marinês destacou que é importante o diabético monitorar a glicemia antes e após as refeições para verificar se a quantidade determinada de carboidratos está exercendo alguma influência negativa. O ideal é que a glicemia se mantenha estável ou aumente cerca de 20 miligramas.
Apesar de não ser nenhuma novidade, Marinês acredita que o planejamento alimentar no tratamento de diabéticos é pouco aplicado pelos médicos. É uma indicação trabalhosa, diz ela, já que não se estabelece uma dieta dessas em uma consulta de 15 minutos. Por outro lado, ela presume que muitos pacientes tenham receio, pois já seriam metódicos com sua alimentação.

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