Trechos urbanos de rodovias lideram mortes no trânsito de Londrina
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sexta-feira, 01 de fevereiro de 2019
Luis Fernando Wiltemburg <br> Reportagem local 

O trecho urbano da BR-369 em Londrina foi palco de 58 mortes em acidentes de trânsito nos últimos cinco anos, segundo levantamento da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização). Do total, 13 foram registrados no trecho da Avenida Tiradentes, na saída para Cambé, enquanto 45 ocorreram na Avenida Brasília.
A execução do Contorno Norte retiraria o trânsito pesado vindo de outras cidades da área em que a rodovia passa pelo meio da cidade. O levantamento da CMTU mostra que os trechos urbanos das rodovias são os mais violentos em casos de acidentes.
O placar do trânsito divulgado pela Companhia no dia 21 de janeiro contabilizou 83 mortes no trânsito em Londrina durante 2018, das quais 11 no segmento da PR-445 - que não é pedagiado - e outras nove na BR-369 - foram seis na Avenida Brasília e três no trecho da Avenida Tiradentes. Dentre as vias mais violentas, ainda aparecem as avenidas Dez de Dezembro e Saul Elkind, com 4 casos cada uma no ano passado.
O Contorno Norte de Londrina, previsto para ser executado pela Econorte até o ano de 2002, nunca saiu do papel e foi retirada do rol de obrigações da concessionária pelo governo do Paraná no ano passado.
A obra entrou na mira da Lava Jato, na Operação Integração, que investiga um esquema de desvios de recursos por meio de degraus tarifários e supressões de obras previstas no contrato de concessão. Segundo denúncia do Ministério Público Federal, os desvios chegam a R$ 8,4 bilhões.
Vantagens viárias
Para o inspetor da PRF (Polícia Rodoviária Federal) do Paraná, Marcos Vinícius da Silva, a execução do desvio do trânsito pesado do trecho urbano, que tornaria o tráfego mais ágil, já que os veículos pesados têm menos agilidade para mudanças de velocidade.
"Em algumas vias com máxima permitida entre 60 Km/h a 70 Km/h, o veículo de carga não alcança essa velocidade porque não tem condição de parada rápida, criando gargalos. O desvio em pista dupla seria a solução mais viável para fluir com maior segurança e velocidade", explica o inspetor.
Por outro lado, ele acredita que o maior problema de acidentes ocorre pela irresponsabilidade dos motoristas e não pelo volume de tráfego. "Nossos dados demonstram que quem se envolve em acidentes no perímetro urbano (da rodovia federal) é o público local. Mais de 50% dos acidentes envolvem condutores locais", afirma.
Relembre o caso
O traçado original do Contorno Norte seria em pista simples, com previsão de duplicação até 2016. Entretanto, com a demora da execução, o trecho pelo qual passaria foi tomado pela área urbana, tirando parte do propósito do desvio e encarecendo as desapropriações.
Em 2016, quando o Governo do Paraná passou a tomar para si a responsabilidade da obra, um novo traçado foi preparado, cinco quilômetros distante do original, agora em pista dupla, num valor estimado em R$ 600 milhões.
Segundo o MPF, a transferência de responsabilidade sobre o Contorno Norte ocorreu num período de "forte influência" da concessionária Econorte sobre o poder concedente (o governo estadual).


