Rio - Um trecho da ciclovia Tim Maia, na Avenida Niemeyer, inaugurada em janeiro, desabou ontem de manhã, levado pela ressaca do mar de São Conrado. A ciclovia, que é suspensa e junto ao mar, teve um pedaço de mais de 50 metros arrancado pela água. Está interditada, assim como a Niemeyer. Técnicos da Secretaria Municipal de Obras ainda vão avaliar se há risco de outros desabamentos. Segundo ciclistas que trafegavam no local, o mar estava com uma forte ressaca, com ondas altas e violentas.

Até a tarde, dois corpos haviam sido localizados pelo Corpo de Bombeiros, que informou que outras três pessoas teriam ficado feridas. Eduardo Marinho Albuquerque, de 53 anos, e um homem de 45 anos, cuja identidade não foi divulgada, foram as duas vítimas fatais. Ainda de acordo com os bombeiros, uma terceira vítima teria sido atendida.

A ciclovia custou R$ 45 milhões, tem 3,9 quilômetros, 2,5 metros de largura, vai do Leblon a São Conrado e foi inaugurada pelo prefeito Eduardo Paes (PMDB) no dia 17 de janeiro. Na ocasião, ele declarou que a obra tinha "um efeito de integração incrível, já que juntou o bairro do Leblon e São Conrado", e que tinha potencial para servir de trajeto para pessoas que utilizam bicicleta para ir trabalhar. O trecho inaugurado foi o da primeira fase do Complexo Cicloviário Tim Maia, que vai até a Barra da Tijuca. Ontem, ele enviou nota dizendo que "lamenta profundamente" o desabamento.

O engenheiro Antonio Eulálio Pedrosa, conselheiro do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-RJ), acredita que o desabamento tenha sido motivado pela falta de planejamento adequado da obra. A ciclovia é suspensa e foi construída junto ao mar de São Conrado, mas, em sua análise, ao que tudo indica, não foi prevista a possibilidade de ressaca.

O secretário-executivo de Coordenação de Governo do Rio e pré-candidato à Prefeitura, Pedro Paulo, afirmou que haverá uma reunião hoje, com o consórcio Contemat-Concrejato, responsável pela obra. A empreiteira Concremat pertence à família do secretário de Turismo da cidade do Rio, Antônio Pedro Viegas Figueira de Mello.
O Consórcio informou, em nota, que uma equipe técnica da empresa foi ao local, trabalhando em coordenação com a Secretaria de Obras. "As prioridades neste momento são garantir o atendimento às vítimas e seus familiares e avaliar as causas do acidente", disse. A reportagem questionou a Concremat se o secretário teve alguma influência na contratação da empresa da família. "O Consórcio participou de processo de licitação que foi acompanhado por todos os órgãos de fiscalização competentes", respondeu.

Roberta Pennafort, Constança Rezende, Marcil Dolzan e Julia Affonso
Agência Estado

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