Brasília, 20 (AE)- O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Distrito Federal (DF) cassou hoje (20) à noite, por três anos, os direitos políticos do ex-governador Cristovam Buarque (PT), por desobediência civil a uma decisão judicial. O advogado Herman Barbosa, defensor do atual governador, Joaquim Roriz (PMDB), disse que Buarque foi conenado "por unanimidade", mas observou que o ex-governador pode recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Durante a administração de Cristovam, as obras eram identificadas com placas que tinham como "assinatura" a expressão "Governo Democrático e Popular". A Justiça Eleitoral do DF considerou que a expressão equivalia a propaganda do governo e mandou o governo retirar as placas.
Elas não foram retiradas, mas a expressão "Governo Democrático e Popular" foi coberta por funcionários do governo com uma faixa preta de pano. O próprio Cristovam Buarque disse hoje à noite que provavelmente o TRE interpretou a atitude dos funcionários que puseram os panos pretos como "desobediência civil" à Justiça.
O ex-governador considerou "esdrúxula" a decisão do tribunal. "Não estou sendo processado por nenhum roubo", disse. Segundo Buarque, a condenação serve para desviar o foco das atenções no Distrito Federal, concentradas na polêmica sobre a denúncia de que Roriz teria financiado sua campanha ao governao com dinheiro de bicheiros. "Os bicheiros deram dinheiro para ele fazer documentos apócrifos contra mim, e o TRE deveria era examinar a denúncia de que Roriz usou dinheiro dos bicheiros na campanha", afirmou Buarque.
O ex-governador informou que vai se reunir com seus advogados e com o PT para decidir se recorre ou não da sentença, mas disse que, neste momento, está muito ocupado em viagens a outros países dando palestras sobre seu projeto "Bolsa-Escola", que ajuda famílias pobres com filhos em idade escolar. "É estranho essa condenação acontecer no momento em que pessoas estão lançando minha candidatura à Presidência da República", concluiu o ex-governador.

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