Ao contrário do que acontece com as mulheres, que são ludibriadas por organizações criminosas com falsas promessas no Brasil e se veem obrigadas a se prostituirem na Europa, as travestis que se aventuram no velho continente viajam justamente porque querem faturar em euro com o comércio do próprio corpo. Algumas chegam a ganhar até R$ 100 mil em menos de um ano. Mas isso não as livra dos riscos de serem engendradas por quadrilhas de traficantes sexuais.
Carla Amaral, presidente do Grupo Marcela Prado e da Associação de Travestis e Transexuais de Curitiba, explica que as travestis brasileiras que migram para a Europa não são enganadas com falsas promessas de emprego ou qualquer outra coisa. Elas sabem que, tal como aqui, serão profissionais do sexo. Mesmo assim, sofrem explorações e violências.
Normalmente, elas se endividam para comprar as passagens aéreas e com um local para ficarem assim que chegam em solo europeu. A dívida, de alguns milhares de euros, tem que ser paga no prazo de três a seis meses. ''Muitas delas, porém, quando chegam lá, são obrigadas a pagarem uma multa para o agenciador (um valor extra que normalmente não faz parte do pacote original), têm o passaporte retido e chegam a ficar presas por até meses nos locais onde atendem os clientes'', relata.
Carla voltou recentemente da Espanha e conta que ''a experiência foi válida'' mas que exige cuidado. Como exemplo, diz que em 10 meses se mudou 12 vezes de cidade e ainda foi denunciada por uma ''colega'' brasileira incomodada com a concorrência. ''É uma insegurança diária.''
Até por isso, a maioria das travestis passam ''temporadas'' na Europa (principalmente Espanha, Itália e Alemanha) e retornam para o Brasil assim que economizam algum dinheiro. Poucas alcançam, de fato, uma vida estável e a independência financeira.(L.A.)

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