Curitiba - O estereótipo do travesti prostituído, que mostra o corpo e usa muito silicone, é tudo o que os grupos organizados de travestis de todo o País querem combater. A cidadania, dizem eles, é ser travesti, sem necessariamente se prostituir. Ter direito à saúde, segurança e participação nas políticas públicas que permitam o respeito à diversidade. Essa tem sido a tônica das discussões no IX Encontro Nacional de Travestis e Liberados (Entlaids), que está acontecendo no Hotel Paraná Suíte, em Curitiba, até amanhã.
A convidada argentina Lohama Berkins diz que os países latino-americanos têm o mesmo perfil de comportamento em relação aos travestis. ‘‘A origem é político-cultural, com histórico comum de países militarizados e machistas’’, explica. Segundo ela, a exclusão social deve ser combatida não só através de projetos isolados nos governos, mas envolver toda a sociedade e, principalmente, os próprios travestis e sua auto-imagem. ‘‘Assim como negritude não é sinônimo de escravidão, não podemos aceitar que ser travesti é sinônimo de ser prostituído. Devemos querer ser médicos, deputados, jornalistas, na condição de travestis’’, defende.
A chilena Nicole Carriole conta que em seu país a situação está muito distante da ideal. Por ser uma sociedade extremamente machista e reprimida, a violência contra os travestis é um problema grave, praticada por grupos armados e pela própria polícia. Lá os travestis não têm direito a voto se estiverem usando roupas femininas e maquiados. Pela situação de clandestinidade e repressão, o índice de dependência de álcool e drogas é elevado.
Um dos painéis de ontem foi com representantes do Programa de Estabilidade Social do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Eles falaram sobre a importância de contribuir para a previdência, garantindo benefícios como auxílio-doença em casos de incapacidade para o trabalho, pensão no caso da morte do companheiro, e aposentadorias por invalidez, idade ou tempo de contribuição. Segundo o representante do INSS, Alvirmar Costa, o programa é direcionado a 40 milhões de brasileiros atualmente excluídos da previdência social. O encontro será encerrado amanhã com a Marcha da Diversidade, em comemoração ao Dia do Orgulho Gay, às 15 horas.

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