Travestis fazem passeata pelo centro de Curitiba
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de junho de 2002
Katia Michelle<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - A capacitação de policiais civis e militares para uma nova abordagem policial a profissionais do sexo é a principal reivindicação dos travestis paranaenses. Eles aguardam manifestação da Secretaria de Segurança Pública para que seja implantado um projeto semelhante ao que está em operação no Rio Grande do Sul, com o objetivo de reduzir a violência contra travestis naquele estado. A solicitação foi feita durante o 9º Encontro Nacional de Travestis e Liberados (Entlaids), que encerrou ontem em Curitiba.
Para marcar o encerramento do encontro e também o Dia do Orgulho Gay, os travestis, gays e simpatizantes fizeram uma passeata no Centro da cidade. Cerca de 150 pessoas, segundo a Polícia Militar, participaram da passeata. Queremos despertar a consciência da população para uma abordagem mais humana aos travestis, disse Liza Minelli, presidente do grupo Esperança, que organizou o evento.
Para ela, o principal enfoque do encontro é discutir novas abordagens gerais para os travestis. A abordagem policial muitas vezes é violenta e preconceituosa, explica. Por isso, os travestis reinvindicam a implantação do projeto idealizado pelo delegado da Polícia Civil no Rio Grande do Sul, Paulo de Tarso Castro Araújo. O projeto prevê cursos de capacitação a policiais militares, civis e até agentes penitenciários ministrados por professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Depois de sua implantação, há um ano, a violência contra travestis no estado reduziu quase 100%.
O encontro também serviu para discutir políticas que garantam a capacitação dos travestis para o mercado de trabalho. Muitos travestis se prostituem por falta de opção, disse Liza. Discutir o assunto já é um passo para mudança, concluiu. O Entlaids acontece anualmente em Curitiba e dessa vez reuniu travestis não só de outros estados, como também da Argentina e Chile.


