Travestis e clientes trocam acusações
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domingo, 19 de julho de 2015
Paulo Monteiro<br> Grupo Folha 
Londrina - O suposto ataque a um motorista em Londrina ganhou as páginas policiais na última semana. A ação foi batizada de "travesti voador", onde alguns profissionais do sexo estariam invadindo carros no centro da cidade para extorquir motoristas. As vítimas seriam forçadas a fazer pagamentos sob a ameaça de serem constrangidas. As próprias travestis entrevistadas pelo Grupo Folha divergem sobre a situação.
O último caso em evidência teve início na Avenida Leste Oeste, Jardim Shangri-lá, e o final na Avenida Tiradentes. Policiais militares foram acionados e se depararam com uma travesti, de 24 anos, em frente a um banco localizado na via. No interior do estabelecimento havia um homem de 30 anos, que teria acionado a PM.
O soldado Fernando Toshio atendeu à ocorrência. "A versão da travesti é que o homem a convidou na Leste-Oeste, realizou um programa com ela e não tinha todo o dinheiro para pagá-la. Por isso, teriam ido à agência bancária retirar a quantia restante", explica Toshio. "Já o homem afirmou que tinha deixado sua esposa minutos antes no Terminal da Zona Oeste, na mesma avenida, e acabou sendo surpreendido ao parar o carro em um semáforo. A travesti teria invadido seu veículo com uma faca, feito ameaças e exigido dinheiro. Porém, a arma e o dinheiro não foram encontrados com o travesti", conta o policial, que encaminhou os dois ao 3° Distrito Policial.
"Onde foi registrado uma notícia de fato futuro. Caso outro desentendimento entre eles aconteça, a Polícia Civil já possui informações sobre os envolvidos. Ninguém ficou preso", explica ele, admitindo já ter atendido ocorrências semelhantes. "Atendemos casos parecidos em motéis, de clientes que teriam saído com travestis e não pagaram pelos programas", completa o PM.
Atendendo durante todo o dia na esquina entre a Leste-Oeste e a Rua Eça de Queiros, onde a confusão acima teria começado, Maíra, uma travesti de 33 anos, ressalta acreditar na versão da colega de trabalho. "Está fácil para a polícia resolver este caso. Aqui é cheio de câmeras. É só resgatarem as imagens gravadas", diz a transexual. "Somos vítimas, não bandidas. Eu mesma fui assaltada três vezes nos últimos dois meses", completa.
A travesti Géssica, de 29, que atende em seu próprio imóvel para evitar a violência das ruas, discorda e relata que um dos seus clientes também foi vítima de um ataque parecido. "Dias atrás, um cliente me contou que passou pela Leste-Oeste e perguntou para a travesti o preço do programa. Ela falou um valor muito alto e meu cliente a dispensou. Em seguida, a travesti abriu a porta do carro dele, tirou a chave da ignição e tentou pegar sua carteira. Ainda por cima, fez ameaças. Disse que faria um escândalo caso não entregasse o dinheiro. Ele não teve outra oportunidade a não ser entregar o que tinha na carteira."


