Travesti que teve o corpo queimado morre em Curitiba
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Adriana De Cunto<br>Reportagem local 
Curitiba Depois de quase dois meses internada no Hospital Evangélico (HE) de Curitiba, morreu anteontem a travesti Natascha, que teve grande parte do corpo queimado quando um homem a abordou na rua, jogou gasolina e depois ateou fogo. O agressor fugiu e a polícia ainda não tem pistas do assassino. O crime aconteceu no dia 26 de dezembro, durante a madrugada, na Avenida Victor Ferreira do Amaral, na divisa da capital com o município de Pinhais, na região metropolitana.
A mulher tinha 37 anos e vivia em situação de rua, conforme contou a presidente da ONG Transgrupo Marcela Prado, Rafaelly Wiest. A organização curitibana de defesa dos direitos dos travestis e transexuais acompanhou a vítima durante todo o período de internação no HE, para onde ela foi encaminhada pelo Siate e chegou em situação grave, pois teve 50% do corpo queimado. Abandonada pela família, Natascha não portava documentos pessoais quando foi atacada.
Em depoimento no hospital, a vítima disse que foi agredida por um homem apenas, e não por um grupo de rapazes, conforme foi divulgado em dezembro. Rafaelly explicou que a travesti ficou muito traumatizada com a agressão e o abandono da família contribuiu para que ela desenvolvesse um quadro de depressão, que influenciou de forma bastante negativa no tratamento. O sepultamento aconteceu ontem à tarde, no Cemitério Municipal Santa Cândida, em Curitiba.
O crime está sendo investigado pelo delegado titular de Pinhais, Vitor Dutra de Oliveira, que pediu mais prazo à justiça para concluir o inquérito. Até agora, não há pistas que possam levar ao assassino. "Infelizmente, é mais uma vítima do preconceito que está aumentando no Brasil", disse a presidente do Transgrupo. Ela ressaltou que, só nesses dois primeiros meses de 2016, 60 travestis e transexuais foram assassinados no Brasil. A região Nordeste foi a que mais teve ocorrências. Segundo pesquisa divulgada ano passado pela ONG Transgender Europe (TGEU), o Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo. Entre janeiro de 2008 e março de 2014, foram registradas 604 mortes no País.
O Grupo Dignidade, que também defende os direitos pela cidadania de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, emitiu ontem uma nota de tristeza e indignação pela morte de Natascha. "O Grupo Dignidade vem a público pedir às autoridades competentes que investiguem e punam exemplarmente as pessoas que cometeram esse bárbaro crime. A impunidade gera violência", afirma o comunicado. A Assessoria de Direitos Humanos e Igualdade Racial da prefeitura de Curitiba também se pronunciou pelo Facebook: "Lamentamos profundamente a morte prematura de mais uma cidadã trans. Vamos continuar acompanhando a resolução deste caso". O HE deve dar detalhes, hoje, sobre o boletim médico da travesti.


