Interseção em Apucarana: um dos poucos pontos em que foi possível ver uma cancela
Interseção em Apucarana: um dos poucos pontos em que foi possível ver uma cancela | Foto: Fotos: Anderson Coelho



Mesmo com o número de acidentes envolvendo trens em ligeira queda na região Norte do Paraná é possível observar que faltam elementos de segurança suficientes para conter a travessia de pedestres e veículos quando o trem está chegando ao cruzamento. A reportagem percorreu os municípios de Apucarana, Arapongas, Rolândia e Cambé para avaliar a situação das linhas férreas. As cancelas foram removidas na maioria dos lugares e há poucas trincheiras ou viadutos nos pontos de interseção entre a ferrovia e ruas. A falta de passarelas para pedestres é outro aspecto que chama bastante a atenção. Isso sem contar a falta de alambrados, que possibilita que qualquer pessoa ou animal cruze os trilhos de trem inadvertidamente. Em muitos pontos existe a falta de sinalização ou então ela já está desgastada pela ação do tempo.

Um dos poucos pontos em que foi possível ver que havia uma cancela foi na interseção da ferrovia com a rua Manuel Pereira, em Apucarana. Naquela região a reclamação mais comum é da dificuldade de travessia devido ao comprimento das composições. A reportagem, quando esteve no município, em dezembro de 2017, contabilizou cerca de 120 vagões em uma delas.

A analista de engenharia Vera Kovalczuk conta que nos dias em que há algum problema nos trens a manutenção é feita ali mesmo e a composição fica parada por muito tempo, impedindo assim a passagem de veículos e pedestres, que é realizada no mesmo nível do trem. "Outro dia tive de passar entre os vagões e pular o engate deles porque eu precisava pegar o ônibus do outro lado da ferrovia. Isso foi às 7h30 e várias pessoas também fizeram a mesma coisa", aponta, acrescentando que sabia do risco de a composição se movimentar e ela acabar se acidentando. "Mas se eu não pulasse, eu perderia o ônibus." Não há nenhuma passarela para pedestres nos dois cruzamentos mais movimentados da ferrovia em Apucarana.

Relatos sobre o perigo de cruzar a ferrovia se repetem em vários municípios, como em Arapongas
Relatos sobre o perigo de cruzar a ferrovia se repetem em vários municípios, como em Arapongas



O porteiro Antônio Silva trabalha próximo a esse cruzamento e relata que a rua Manuel Pereira, que cruza a ferrovia, dá acesso a vários núcleos habitacionais, como o Afonso Camargo e Parque Bela Vista. "Embora haja dois acessos para esse bairros, a composição é comprida e os dois acessos ficam bloqueados pelo trem e os vagões", explicou.

Em Arapongas, mesmo com a existência de uma passarela que passa sobre a BR-369, no cruzamento com a rua Pavão, os moradores afirmam que os acidentes são constantes. "Você tem que ver no horário de pico. Agora (por volta das 16h30) está tranquilo. Cinco e meia é o horário de saída das empresas e aí você vai ver o caos instaurado", afirma o estudante de Publicidade Igor Alves.

Os relatos sobre o perigo de cruzar a ferrovia se repetem nos outros trechos percorridos pela reportagem.

NÚMEROS

Apesar desses problemas, desde 2015 há uma diminuição do número de acidentes registrados na área de concessão da Rumo Logística no Paraná (antiga América Latina Logística) - de 184 para 118, segundo dados da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). Em 2017 foram registrados 27 atropelamentos, 63 abalroamentos, uma colisão, 25 descarrilamento e dois incêndios na área de concessão da empresa. No entanto, no trecho entre Ourinhos e Apucarana os números ficaram praticamente estáveis. A redução foi de 24 ocorrências para 23 (-4,1%), onde foram registrados cinco atropelamentos, nove abalroamentos e nove descarrilamentos em 2017.

Segundo a Rumo Logística, considerando o índice de abalroamento, atropelamento e descarrilamento no Paraná, tendo como base o início de gestão da Rumo, é possível verificar que houve uma redução de 34,73% no número de acidentes de janeiro a novembro de 2016 em comparação ao mesmo período de 2015. Também há uma redução de 31,74% de 2017 em relação ao mesmo período.

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