Trauma provoca pesadelos e medo
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de março de 1998
Agência Folha 
A portuguesa Eunice Pacheco, 42, se mudou em setembro do ano passado com o marido, Vitor Lustosa, 49, e a filha, Samantha, 20, para o Palace 2. Gastamos tudo naquele apartamento, diz. Hoje, a família está em um quarto de hotel em Copacabana (zona sul).
Eunice tem medo de sair sozinha e só dorme depois de tomar tranquilizantes. Primeiro, foi a fase do barulho do desabamento, que me perseguiu por dez dias. Agora, são os pesadelos. Parece que o piso vai abrir sob meus pés.
Todos os dias, antes de ir para a cama, Eunice fecha as janelas do quarto. Copacabana tem uns barulhos estranhos durante à noite. Tenho medo de acordar e, desesperada, me jogar.
Ela disse que acorda todos os dias com o corpo doído, a sensação de que seus dentes estão soltos e com a língua trincada. É uma angústia muito grande, estamos meio ciganos, afirmou Eunice ao saber que a construtora Sersan só renovou o pagamento do hotel até a próxima semana.
Eu era uma pessoa independente. Hoje, não estou em condições de trabalhar. Durante dez anos, Eunice foi presidente de uma organização não-governamental belga que trabalha com ressocialização de ex-presidiários. Ela disse que não procura ajuda psicológica porque não teria dinheiro para pagar. A família ainda não tem qualquer garantia sobre seu futuro. O melhor remédio é o tempo. Hoje, ainda estou completamente baratinada.


