Tratorista é internado com suspeita de contaminação por hantavírus
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domingo, 04 de julho de 1999
Por Luiz Carlos Lopes 
Marília, SP, 05 (AE) - O tratorista José Nonato da Silva
de 33 anos, foi internado hoje na Santa Casa de Misericórdia de Tupi Paulista, no interior do Estado, com suspeita de ser o mais novo caso de infecção por hantavírus, doença transmitida pelo rato-do-capim (Bolomys lasiurus), que já fez duas vítimas fatais este ano e outras duas em 1998, na região da Alta Paulista. O paciente, residente em Castilho, trabalhava na colheita de sementes de capim brachiária, em uma plantação de Terra Nova do Oeste, distrito de Santa Mercedes, mesmo local onde possivelmente foi contaminado o trabalhador Roberto Carlos de Oliveira, de 19 anos, que morreu no dia 6 de junho, vítima da doença.
Segundo o médico Ismael Domingos Pretti, secretário municipal da Saúde de Tupi Paulista, que o atendeu, Silva foi encaminhado pelas autoridades sanitárias de Santa Mercedes e chegou ao hospital com febre alta, palidez e fadiga intensas, além de sintomas de gripe, um quadro semelhante ao apresentado pelas vítimas de hantavírus. "Além dos exames de praxe, pedimos a coleta de sangue para análise de hantavírus pelo Instituto Adolfo Lutz", informou. Em Santa Mercedes, o secretário municipal da Saúde, Jonas Silva dos Santos, classificou como "piada de mau gosto" a informação de que, por ser um animal silvestre, o rato-do-capim está protegido pela legislação do meio ambiente e sua caça sujeita os infratores às penas da lei.
Ele também não concorda com os técnicos do Instituto Adolfo Lutz, que advertem para os riscos de a população desencadear uma campanha de eliminação de ratos, pois isto pode aumentar o perigo de contaminação, já que o vírus existente na urina e fezes de animais contaminados se espalha com a poeira e pode ser absorvido pelos seres humanos através da boca, narinas e olhos. Santos admitiu que o clima na cidade é de "preocupação total", agravado depois que o tratorista José Nonato da Silva foi internado. Por esse motivo, ele vai continuar recomendando aos moradores o uso do veneno granulado para matar ratos nos depósitos de alimentos existentes na zona rural.
De acordo com o secretário, apesar do clima tenso, até agora os órgãos estaduais da saúde não prestaram nenhuma orientação sobre a melhor forma de agir para combater a doença. "Não sabemos o que fazer", admitiu. Em Caiabu, a funcionária da Secretaria Municipal Ivanilde Esteves disse que o órgão também aguarda orientação sobre a melhor forma de atuar no combate ao hantavírus. Em Presidente Prudente, Sandra Elotfi, diretora da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual da Saúde, com jurisdição sobre Caiabu e Santa Mercedes, admitiu que não existem normas definidas para o controle do hantavírus e as únicas recomendações que tem transmitido são no sentido de armazenar adequadamente os alimentos e manter limpos os locais frequentados por roedores.


