Tratar dor de cabeça é 'jogo de paciência'
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Encontrar o tratamento certo para a dor de cabeça pode ser um jogo de paciência. É por isso que quando uma 'nova peça' surge para ajudar a montar esse verdadeiro 'quebra-cabeça' a novidade deve ser comemorada, por especialistas e pacientes. As últimas discussões no Congresso Nacional de Cefaleia, promovido pela Sociedade Brasileira de Cefaléia, que reuniu profissionais de todo o País, além de Portugal, Itália e Estados Unidos, em Vitória, no último mês, giraram em torno de avanços na área da fisiopatologia da dor.
O termo, segundo o neurologista e cirurgião Breno Ferraz, de Londrina, diz respeito ao mecanismo de aparecimento da dor. E é justamente com esse enfoque que apontam os diagnósticos e tratamentos mais eficientes - atuar na origem do problema, antes que a cefaleia se manifeste.
O que se sabe hoje, segundo Ferraz, é que um desequilíbrio químico e elétrico em algumas partes do cérebro desencadeia o processo doloroso. Então, o que a medicina trabalha é para estabilizar a química cerebral, e, assim, agir na prevenção da dor. ''Ao agir preventivamente, melhorando a organização da parte química neurológica, o organismo fica menos sensível a estímulos que causam a dor de cabeça'', ensina Ferraz. Entre esses estímulos estão luz, barulho, álcool, estresse, alguns alimentos, hormônios, medicação e sono, que funcionam como 'gatilhos' para a cefaleia.
Como o desequilíbrio neuroeletroquímico também é praticamente a mesma origem de doenças como labirintite, pânico, depressão e convulsões, o tratamento é feito com medicamentos como antidepressivos e anticonvulsivantes. ''Os efeitos colaterais existem, por isso é preciso avaliar o custo-benefício. Mas, os gatilhos nem sempre se consegue controlar'', pondera.
Os efeitos colaterais do uso contínuo desses medicamentos, segundo Ferraz, também podem ser usados a favor do paciente. Assim, um remédio que causa sono passa a ser positivo para quem sofre de insônia, por exemplo. ''Hoje você não obriga o paciente a se encaixar no tratamento, pois o que é bom para um, não é necessariamente para outro. A escolha da melhor opção é individual e, às vezes, é preciso mudar'', diz.
Outra discussão entre os especialistas, segundo Ferraz, é em relação ao uso abusivo de analgésicos que, em vez de melhorar, piora a dor, levando à cefaleia crônica diária. O uso de medicamento em excesso, explica o neurologista, desativa o mecanismo natural do organismo contra a dor e o resultado é mais sofrimento.
O excesso ainda leva a outro problema, os efeitos colaterais: ''De 15% a 20% dos gastos com saúde no mundo são para tratar complicações e mau uso de medicamentos. Hoje, estima-se que 15% da população mundial consuma 90% dos medicamentos fabricados no mundo'', alerta Ferraz. O Brasil, aponta o neurologista, figura em quarto lugar no ranking mundial de consumo de analgésicos, e 15% da população consome 50% dos remédios do País. ''Discutiu-se muito a necessidade de uma lei que controlasse melhor o uso de analgésicos, mas, melhor que isso, é a educar a população e alertar contra esse mau uso'', afirma.
Com critério, o analgésico deve e pode funcionar. ''Em casos bem diagnosticados, só a simples retirada do consumo excessivo de analgésicos melhora em 60% a dor, e aí o tratamento é baseado na fisiopatologia da cefaleia'', ressalta.
Para o urologista americano Abraham Morgentaler, professor associado da Harvard Medical School e diretor do Men's Health Boston, especializado em saúde reprodutiva e sexual masculina, apesar da deficiência de testosterona ser comum com o envelhecimento, os casos ''são subdiagnosticados e subtratados''. Mas, como, afinal, fazer um melhor diagnóstico? Para Morgentaler, considerar os níveis de testosterona livre, além do total, e a história clínica do paciente é a melhor saída.
Encontro entre especialistas da área em julho deste ano em Paris, segundo Morgentaler, chegou ao consenso de que a deficiência de testosterona deve ser considerada síndrome clínica e bioquímica, que ''não tem relação só com exames de sangue, mas com sinais e sintomas que levam a uma redução significativa da qualidade de vida''.
Ele explica que é importante compreender que, quando é dosada a quantidade total do hormônio, parte dele - cerca de metade - está ligada a uma molécula chamada SHBG, que faz com que a testosterona ''não esteja disponível do ponto de vista biológico para as células''. Até aí, isso é considerado normal. O problema é que estudos mostram que, com a idade, a quantidade de testosterona ligada ao SHBG também aumenta e o resultado é menos hormônio na forma livre, apesar dos níveis 'normais' . ''A conclusão é que o exame é útil, mas não conclusivo'', aponta Morgentaler. ''Quando os níveis de testosterona estão entre 300 e 400 (nanogramas por decilitro) é preciso escutar o paciente e valorizar muito sua história clínica'', ressalta Rhoden.
* A jornalista viajou a convite da Bayer Schering Pharma
''Em casos bem
diagnosticados,
a retirada do
consumo excessivo
de analgésicos
melhora em
60% a dor''


