Tratamentos ajudam os que suam demais
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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Necessário para regular a temperatura do corpo, o suor é um mecanismo importante produzido pelo organismo. É por meio dele que acontece o equilíbrio de todo calor concentrado durante a prática de exercícios físicos e nas tarefas diárias. Uma patologia com causa ainda desconhecida - a hiperidrose - desequilibra esse funcionamento, tornando a vida de quem tem o problema bem mais complicada.
Um simples aperto de mão, a troca contínua de roupa e o medo de se expor diante das pessoas com marcas de suor pelo corpo são incômodos enfrentados constantemente por pelo menos 176 milhões de pessoas no mundo. Esse público pode mudar radicalmente suas vidas por meio de tratamentos ou procedimentos cirúrgicos que eliminam totalmente a sudorese excessiva.
Há dez anos a psicóloga Josani Campos Silva, 29 anos, se livrou da hiperidrose. O alívio chegou um dia depois de um procedimento cirúrgico. Hoje, Josani ainda lembra das dificuldades em lidar com o problema no período escolar. ''Minhas mãos, pés e axilas suavam demais. Na escola eu tinha dificuldade porque as folhas do caderno molhavam e eu não podia usar aquelas canetas coloridas que toda criança gosta de usar porque a tinta se misturava com meu suor. Me incomodava bastante, as mãos chegavam a pingar'', conta.
A psicóloga passou por uma cirurgia vídeo-assistida (vídeo-toracoscopia) realizada pelo pneumologista Eduardo Sahão. O procedimento cirúrgico é feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e tem um período de internamento de 12 a 24 horas, com retorno às atividades em torno de 7 dias'', diz.
Segundo o médico, as indicações do procedimento são para os pacientes que sofrem da hiperidrose localizada nas regiões crânio-facial, axilares e palmas das mãos. ''A cirurgia é realizada em hospitais, sob anestesia geral e consiste em duas pequenas incisões de cinco milímetros em cada lado do tórax em que após a identificação do tronco simpático (nervo que regula o suor), o mesmo é cauterizado com bisturi elétrico'', explica.
Ainda segundo Sahão, o risco deste procedimento é mínimo e os resultados são melhores nos pacientes com hiperidrose palmar, chegando em algumas estatísticas, até próximo de 100%. De acordo com ele, os paciente que submetem-se a esta cirurgia podem desenvolver, em 75% dos casos, a chamada sudorese compensatória, isto é, passam a ter suor em outras áreas do corpo, como tórax, abdômen e coxas. ''Uma pequena parcela destes pacientes, cerca de 1 a 2% dos casos, pode apresentar uma sudorese compensatória exuberante, o que é muito desagradável para o paciente'', diz.
Josani lembra até hoje do alívio que foi poder encostar uma mão na outra e sentir a pele seca. ''No dia seguinte da cirurgia já senti a diferença. Outra coisa que consegui passar a fazer foi tocar violão. Era impossível tocar com as mãos molhadas porque as pontas dos dedos chegavam a machucar. Nem mesmo a sudorese compensatória eu tive e hoje vivo bem melhor'', finaliza.


