Tratamento previne complicações
A fisioterapia respiratória já é rotina no pós-operatório de pacientes que passaram por cirurgias de grande porte. Mas, e, se no caso de crianças com cardiopatias, a fisioterapia fosse feita também antes do procedimento cirúrgico? A tese de mestrado da fisioterapeuta Josiane Marques Felcar, professora da Universidade Norte do Paraná (Unopar), pesquisou justamente isso e mostrou que em crianças a fisioterapia respiratória antes da cirurgia cardíaca ajuda a diminuir as complicações pulmonares.
De janeiro de 2004 a fevereiro de 2006, a fisioterapeuta avaliou 153 crianças, a maioria bebês prematuros ou com menos de um ano de idade, pacientes do Hospital Infantil. Todos tinham algum tipo de cardiopatia e iriam passar por procedimento cirúrgico. No total, 135 participaram do estudo e passaram pela fisioterapia antes da cirurgia. Foram usadas técnicas desobstrutivas, para tirar secreção, e reexpansivas, para ventilar o pulmão. Não foram avaliados pacientes que estavam com pneumonia pouca antes da cirurgia ou que chegaram a óbito durante o procedimento ou logo após.
O resultado da pesquisa foi animador - as complicações pulmonares diminuíram em 18,3%. E mesmo nos casos em que aconteceram complicações os resultados da fisioterapia pré-cirúrgica foram positivos, já que houve diminuição de 31% do tempo de unidade de terapia intensiva (UTI) e de internação hospitalar. Isso significa menor risco de infecção hospitalar para o paciente e menor custo com internação, ressalta Josiane.
Segundo a fisioterapeuta, a maioria das cardiopatias precisa de intervenção cirúrgica e o risco de uma complicação respiratória é alto, em torno de 70%. Se a complicação for grave, há risco de morte.
Josiane já iniciou a tese de doutorado e pretende pesquisar a relação entre os grupos de cardiopatias, idade das crianças, e quanto a fisioterapia respiratória pode ser benéfica no período pré-cirúrgico. (C.P.)





