Tratamento para fígado chega ao País
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de outubro de 1998
Agência Estado 
Três novas técnicas cirúrgicas que permitem o controle e tratamento de câncer, hemorragias e cálculos hepáticos no fígado, para os quais o transplante era a única alternativa, estão sendo aplicadas em caráter experimental em pacientes brasileiros. Há necessidade de o Brasil desenvolver outras alternativas porque cerca de três mil pessoas precisam anualmente de transplantes de fígado e só são realizados 200, disse o médico Joaquim Ribeiro Filho. Ele será o coordenador da 7ª Semana de Fígado do Rio, que será realizada de 29 a 31 deste mês.
Responsável pelo setor de transplantes do Hospital Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ribeiro Filho afirmou que estas novas técnicas já estão sendo utilizadas com sucesso na França. Uma delas consiste na obstrução da veia porta (que leva o sangue do intestino para o fígado), na parte em que o câncer está localizado, o que provoca o crescimento do outro lado do fígado.
Assim, é possível retirar até 80% do fígado com o tumor e os outros 20% restantes são suficientes para manter a vida, explicou. De acordo com o médico, este tipo de cirurgia, já utilizada na França e no Japão, foi aplicada com sucesso pela primeira vez no comerciante carioca Jorge Bittencourt, de 36 anos, há cerca de um mês. Uma outra técnica é destinada a pacientes que têm hemorragia digestiva provocada por cirrose.
Neste caso, é feita cirurgia para desviar o sangue que iria para o fígado, através de uma prótese colocada na veia porta, para a circulação geral do corpo. A prótese reduz a pressão no fígado e faz com que as varizes do aparelho digestivo desapareçam, acabando o risco de sangramento. O médico explicou que as varizes surgem por causa de pressões no fígado, provocadas pela cirrose, que desaparecem com essa técnica.
A terceira técnica combate os cálculos (pedras) que se formam no interior do fígado. Normalmente esses doentes desenvolvem cirrose hepática e têm que se submeter a transplantes, disse o médico. A operação consiste na retirada da parte do fígado mais afetado e na colocação de uma alça produzida com parte do intestino. A técnica permite a retirada de novos cálculos que venham a se formar porteriormente, por meio de endoscopia, realizada através da alça, que é colocada logo abaixo da pele, explicou o médico.


