Tratamento de DST reduz a transmissão da Aids
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terça-feira, 31 de agosto de 2004
Agência Estado 
Recife- O risco de transmissão do vírus HIV seria reduzido em 40% se as quatro doenças sexualmente transmissíveis, tricomoníase, clamídia, gonorréia e sífilis, fossem tratadas. A informação, com base em um estudo feito durante seis anos na África, foi dada ontem por Mauro Passos, presidente do comitê científico do V Congresso Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST). Ele acontece simultaneamente ao I Congresso Brasileiro de Aids, no Centro de Convenções, de Olinda, PE.
Um ''pacote'' para tratar alguém que hipoteticamente tivesse as quatro doenças ao mesmo tempo, disse Passos, custaria para a rede de saúde R$ 50,00 no máximo, incluindo a medicação. As quatro doenças, que têm cura, facilitam a transmissão do HIV via sexual.
Engajado no programa nacional Elimina Sífilis, lançado ano passado, Passos contou que são registrados mais de 900 mil casos de sífilis todos os anos no Brasil. Destes 28 mil são de sífilis congênita, transmitida pela gestante ao bebê, que se sobreviver ao parto pode ter sequelas como deficiência mental e cegueira.
Passos lembra que a bactéria da sífilis foi descoberta em 1905 e a penilicina - usada no tratamento da doença - há mais de 50 anos. No caso da gonorréia, são cerca de 1,5 milhão de casos novos a cada ano no País; a clamídia (que pode causar esterilidade se não tratada) 1,9 milhão de casos; e a tricomoníase, 4 milhões de casos.
Todas têm cura. Mas não há notificação compulsória (como ocorre com a aids e a sífilis congênita), não há diagnóstico, a maioria dos homens com sífilis ou gonorréia prefere se tratar ''no balcão da farmácia'' e apenas quatro das faculdades de Medicina de todo o País têm a disciplina específica sobre DST no currículo.


