Tratamento da fimose provoca dúvidas
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segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
O assunto ainda causa dúvidas nos pais de meninos - o que é fimose e como deve ser tratada? É preciso fazer a circuncisão já no recém-nascido?
A fimose, segundo o urologista Sílvio Maia de Almeida, de Londrina, é a formação de um anel de pele no pênis, o que impede a exteriorização da glande. É diferente de ter uma sobra de pele, que não estrangula a glande, ressalta.
Na criança, a fimose dificulta a higiene e por isso há um risco maior de infecção urinária ou na própria pele do pênis. No adulto, a falta de higiene está relacionada ao câncer de pênis. O prepúcio - pele que envolve a glande - secreta uma substância chamada esmegma, que se aloja na região com restos de urina. Caso não haja limpeza adequada, infecções repetidas podem afetar as células do prepúcio ou da glande, favorecendo o aparecimento do câncer.
O consenso médico hoje é tratar a fimose quando há real necessidade. Ou seja, quando há a dificuldade para expor a glande ou quando acontecem infecções urinárias de repetição. Aí é indicada a cirurgia, avalia Almeida. Mesmo assim, antes é feito um tratamento com uma pomada de corticóide, usada por três a seis meses, que resolve cerca de 50% dos casos.
O tratamento da fimose, segundo Almeida, é indicado para o menino por volta dos cinco anos de idade. Isso porque todo menino nasce com um pouco de aderência, que aos poucos vai se desfazendo. Além disso, a cirurgia não é indicada enquanto a criança usa fraldas, pela dificuldade de cicatrização.
Mas a circuncisão, costume entre muçulmanos e judeus, ainda divide opiniões. De um lado estão o que acreditam que cortar o prepúcio do pênis nos primeiros dias de vida é uma forma de prevenir doenças futuras, como o câncer de pênis. Do outro, especialistas que dizem que não compensa uma cirurgia em que riscos estão envolvidos e que ela só deve ser feita se detectado algum problema como a fimose.
O urologista Afiz Sadi, professor da Unifesp, afirma que a indicação de cirurgia era reprimida no passado, mas que hoje estão comprovados muitos benefícios. Nos EUA, por exemplo, pesquisas mostram que 60% dos homens são circuncidados. Entre os judeus, que fazem a circuncisão no oitavo dia de vida, praticamente não há casos desse tipo de câncer, diz. A doença é mais freqüente em regiões pobres e representa 2% de todos os tipos de câncer em homens no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer.
A circuncisão também protege contra a Aids. Pesquisas feitas na África mostraram que a prática pode reduzir de 50% a 60% a vulnerabilidade ao vírus HIV. Isso fez a ONU (Organização das Nações Unidas) anunciar em março apoio à circuncisão como um meio para prevenir a Aids em países com alto índice de contaminação. Mas, mesmo com a proteção extra, defensores e críticos da circuncisão concordam que usar preservativo é essencial.
A prevenção contra outras doenças como o HPV (papiloma vírus) e câncer de colo de útero na parceira é outra vantagem da circuncisão, segundo o urologista Eric Wroklawski, professor da Faculdade de Medicina do ABC. Segundo ele, o inconveniente da circuncisão é que pode causar estreitamento da ponta da uretra, pelo contato com a fralda, e que pode ter implicações cirúrgicas se feita por profissional não habilitado.
Já o secretário da Sociedade Brasileira de Urologia, Roni Fernandes, diz não haver necessidade de circuncidar todos os bebês. É para caso de fimose. Na Suécia, a circuncisão não é costume e a incidência do câncer é baixa, afirma. (Com Agência Estado)


