São Paulo
Um tratamento inédito aplicado em 20 crianças com câncer que não respondiam mais aos remédios disponíveis permitiu que 30% apresentassem melhora significativa. Os resultados obtidos, especialmente nos casos de rabdomiossarcoma, o tipo mais frequente de tumor de tecidos moles (músculos), e de angiosarcoma foram apresentados no Congresso da Sociedade Internacional de Oncologia Pediátrica, realizado em outubro, na Turquia.
Em janeiro, o oncologista Sidnei Epelman, responsável pelo estudo, vai coordenar um trabalho envolvendo várias instituições internacionais que farão uso da droga de acordo com o protocolo proposto pelo brasileiro.
‘‘Todas as crianças com tumor, que estavam sem possibilidade terapêutica, tiveram melhora apenas com atendimento ambulatorial’’, diz Epelman, que é coordenador do Departamento de Oncologia do Centro Infantil Boldrini, de Campinas, e médico do Hospital Albert Einstein.
O médico começou o teste clínico com a droga vinorelbine há 1,5 ano, nos Estados Unidos. Nos EUA, o remédio é indicado para tratar tumores de adultos. O experimento foi aprovado pela comissão de ética da instituição, vinculada à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e realizado entre agosto de 96 e novembro desde ano. Os pais das crianças permitiram o tratamento.
O resultado obtido foi tão bom que uma menina de 8 anos, com expectativa de vida de no máximo um mês, pôde ser submetida a um transplante autólogo (com células sanguíneas da paciente). O que o médico busca são combinações de remédios e novas modalidades de tratamento que propiciem melhores taxas de cura, menores toxicidade e custo.
Atualmente, segundo Epelman, os médicos obtêm cura do câncer em 70% das crianças acometidas por algum tipo de tumor. Na maioria das crianças tratadas com o novo quimioterápico, o tumor original já se espalhava para outras partes do corpo. ‘‘Eu não sabia que tinha uma mina de ouro nas mãos, algo que realmente pudesse ajudar essas crianças.’

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