A estudante de medicina Andrea Cunha, 23 anos, jamais esqueceu sua formatura no ensino fundamental. Não pela festa, mas pela ansiedade e raiva que enfrentou. ''Tinha 14 anos e estava com espinhas gigantes no rosto. Sabia que iria encontrar o menino com quem queria namorar e me sentia muito feia'', relembra. ''Aí, me enchi de maquiagem para tentar esconder as marcas, mas não fiquei satisfeita.''
Andrea passou a festa toda fugindo do rapaz de quem gostava, porque temia ser desprezada devido às espinhas que a maquiagem, na opinião dela, não conseguira ocultar. A acne transformou a festa em drama.
Essa é uma das principais consequências das espinhas. ''Elas não matam ninguém, mas costumam aparecer durante a adolescência, quando a vítima está mais vulnerável a críticas e vira alvo fácil de gozações'', afirma a dermatologista Sueli Carneiro. ''O tratamento aumenta a confiança e a auto-estima das pessoas.''
As principais vítimas das espinhas são jovens -meninos entre 16 e 19 anos e meninas dos 14 aos 17. Homens costumam ficar com mais cicatrizes do que mulheres.
O problema começa com o acúmulo de sebo, substância produzida pelas glândulas sebáceas para lubrificar a pele. ''O sebo é importantíssimo'', ressalta a médica, ''mas quando alguma das microscópicas aberturas por onde ele é liberado fica obstruída, essa substância se acumula e dá origem ao problema'', explica.
No primeiro estágio, o sebo acumulado é um ponto preto chamado cravo. Mas é comum que, misturada a outras substâncias, o sebo cause inflamação da pele. Aí se caracteriza a espinha -uma erupção vermelha que pode conter pus. ''O cravo e a espinha são dois estágios do mesmo problema, a acne. O fundamental é nunca espremer nenhum deles'', ensina Sueli.
O tratamento é feito com remédios tópicos -cremes, muitos deles à base de peróxido de benzoíla, aplicados sobre a pele. Em casos específicos, o médico pode recomendar remédios de uso oral. O tempo do tratamento depende da gravidade do problema -nunca é inferior a quatro meses, mas pode se estender por anos.
Muitas lendas envolvem a acne. Segundo uma delas, a masturbação e a alimentação causariam espinhas. Mas isso é mentira. O que realmente interfere são hormônios -daí a influência de problemas emocionais, estresse e cansaço.

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