Tratamento com psicoterapia e antidepressivos
O tratamento da síndrome do pânico é feito com antidepressivos e psicoterapia. Para as crises, a indústria farmacêutica lançou recentemente um ansiolítico (calmante) de ação rápida, uma pequena pílula, que colocada sob a língua, dá alívio quase instantâneo.
O antidepressivo, explica a psiquiatra Sandra Vargas, regulariza a ação dos neurotransmissores. Segundo ela, normalmente o medicamento é ministrado por um ou dois anos, mas há casos em que é necessário tomá-lo regularmente. ''A retirada do medicamento vai depender da recorrência da doença, se os sintomas diminuíram ou desapareceram'', reforça Sandra.
Mesmo com medicação, ela ressalta que ainda podem acontecer crises eventuais. Isto porque não há cura, mas controle da doença. A psicoterapia, explica Sandra, pode ajudar o paciente a mudar condicionamentos, ''trabalhar o que o ameaça, o que o deixa desamparado''. ''E a pessoa aprende a lidar com a doença, a usar técnicas de relaxamento quando está em crise'', explica.
Quando não diagnosticada e tratada, a síndrome pode causar sequelas, alerta Rodrigues. ''A pessoa pode ficar medrosa, com medo de tudo, e ter distúrbios de comportamento'', explica.
O que acontece então, ressalta Sandra, é a ''ansiedade antecipatória'', a pessoa fica com medo de ter uma nova crise, com ''medo de ter medo''. ''Ela passa então a evitar lugares que não possa sair rapidamente, locais públicos, e desenvolve a agorafobia'', explica. Também há casos em que a pessoa não quer ficar sozinha ou sair desacompanhada, mas só o fato de voltar para um ambiente 'seguro' (a própria casa, na maioria das vezes) faz com que ela melhore.
Segundo Sandra, hoje a psiquiatria também estuda a influência da vulnerabilidade genética e do ambiente (experiências de vida, exemplos dos pais, etc.), em doenças psíquicas. Isto a partir do estudo do psiquiatra Eric Kandel, ganhador do prêmio Nobel, em 2000. ''Como no processo engordativo, que o corpo 'aprendeu' a reter calorias quando o homem primitivo passava longos períodos sem comer, hoje também temos mais medo do que precisamos, medos de perigos que não existem mais'', explica.
A psiquiatra afirma que, apesar de ter sido considerado doença apenas em 93 na Classificação Internacional de Doenças (CID-10) da OMS, os gregos, no ano 400 A.C., já se referiam ao pânico.(C.P.)





