O Instituto Trata Brasil divulgou nesta segunda-feira (20) o ranking de saneamento ofertado para as 100 cidades mais populosas do país. Em relação ao tratamento de esgoto, o município de Londrina ficou com um índice abaixo de 90%, o menor desde 2018. Levando em conta todos os quesitos, a cidade permaneceu na 19ª posição dentre os 20 municípios mais bem avaliados.

No ranking, Londrina ficou atrás de outras cinco cidades do Paraná, sendo elas: São José dos Pinhais, Cascavel, Ponta Grossa, Maringá e Curitiba, que ficaram, respectivamente, em 8°, 10°, 11°, 14° e 15° lugar. Sobre as posições, Londrina e Ponta Grossa foram as únicas cidades que não caíram de posição em relação ao ano anterior. Dentre as outras quatro, a principal queda foi na cidade de São José dos Pinhais, que caiu da 3ª para a 8ª posição.

No ranking de 2023, Londrina registrou um indicador de 89,72% no tratamento das águas residuais que vêm de casas e empresas, chamado de esgoto; no ano passado, o índice era de 91,99%. Londrina está no nível mais baixo desde 2018, quando era de 89,23%. O índice de tratamento do esgoto vem apresentando instabilidade nos últimos anos em Londrina, com aumento seguido de queda aponta o Trata Brasil,.

Para elencar as cidades, de acordo com a metodologia da análise, o Trata Brasil leva em conta três aspectos dentre os 100 municípios mais populosos: nível de atendimento, melhora do atendimento e nível de eficiência, que são calculados com base nos dados disponibilizados pelo Sistema Nacional de Informações Sobre Saneamento (SNIS). De acordo com a publicação, o “sistema reúne informações de prestadores estaduais, regionais e municipais de serviços de acesso à água, coleta e tratamento de esgoto, além de resíduos sólidos”.

Antônio Gil Gameiro, gerente geral da Sanepar na Região Nordeste, que é a concessionária responsável por fornecer às residências paranaenses água, coleta e tratamento de esgoto, comemora os resultados alcançados em 2023. Segundo ele, a Sanepar investiu R$ 362 milhões de 2017 a 2021 em saneamento em Londrina que, segundo ele, é um valor acima do que foi investido por cidades que estão melhor ranqueadas.

De acordo com ele, o Paraná não tem nenhuma cidade entre as 20 piores colocadas. “A Sanepar tem feio a lição de casa, tem investido pesado e tem procurado ampliar o atendimento de esgoto e de água”, explica.

Gameiro explica que Londrina tem um índice de atendimento de rede de 96% e que “100% do esgoto que é coletado é tratado”. Entretanto, os dados disponibilizados pela concessionária divergem das informações fornecidas pelo Instituto Tetra Brasil: o gerente geral afirma que a Sanepar atende 96% da população londrinense por conta de questões técnicas; já de acordo com a pesquisa, são 99,99%. Gameiro também ressalta que 100% do esgoto coletado pela Sanepar é tratado; já a pesquisa indica queapenas 89,72% do esgoto passa por um tratamento antes de ir para um manancial.

DIVERGÊNCIAS

Sobre as divergências de dados em relação ao tratamento do esgoto em Londrina e da cobertura de residências, ele destaca que pode haver diferenças nas metodologias de cálculo utilizadas pela Sanepar e pelo Instituto Trata Brasil, como os loteamentos regulares e irregulares. Ele cita como exemplo uma área de invasão em que há 100 residências. “Essas residências estão em uma área em que a Prefeitura de Londrina não reconhece a regularidade e, sem isso, nós não podemos ir lá e executar uma obra de coleta de esgoto sem que haja a infraestrutura municipal, já que é uma área invadida”, explica.

Segundo ele, nenhum tipo de obra pública pode ser feita em uma área de invasão: “A população que vive de forma inadequada acaba lançando o esgoto em fossas ou a céu aberto”.

Antônio Gil Gameiro ressalta que é um problema que precisa ser resolvido, mas que “a Sanepar só pode agir depois que a prefeitura oficializar a ocupação legal do lote ou deslocar a população para uma outra área”.

Para os próximos anos, o objetivo, segundo ele, é continuar trabalhando para alcançar o primeiro lugar. “A Sanepar tem investido pesado em sistemas de crescimento e universalização do esgoto, mantendo o sistema de água sempre com qualidade”, destaca.

De acordo com Gameiro, neste momento, a concessionária está investindo R$ 250 milhões de reais em obras relacionados ao fornecimento de água e a coleta e tratamento do esgoto na cidade de Londrina. “São centros de reservação, adutoras, elevatórios, estações de tratamento de esgoto, interceptores e outras tantas obras para serem contempladas em um futuro próximo”, finaliza.

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