Curitiba - A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que aproximadamente 20% de todas as crianças no mundo apresentem algum tipo de transtorno mental, como problemas de comportamento, depressão, hiperatividade e autismo. O maior entrave no tratamento é o diagnóstico da doença, que nem sempre é realizado de forma eficaz, já que os sintomas podem ser similares aos de outras doenças.
Os primeiros problemas costumam aparecer na escola, quando a criança apresenta comportamento agressivo, alta irritabilidade e falta de atenção, além de mudanças no sono e na alimentação. ''Alguns alunos são diagnosticados como tendo déficit de atenção, sendo que na realidade estavam com cinco graus de miopia. Assim, não conseguiam prestar atenção e iam mal na escola. Outros eram superdotados, mas não recebiam a quantidade de estímulos necessários para prender a atenção. Casos como esses muitas vezes são classificados erroneamente como transtorno mental'', alerta a neurocientista Mara Lúcia Cordeiro.
Para driblar problemas como esse, ela e o neurologista infantil Antônio Carlos de Farias escreveram o livro ''Transtornos Mentais em Crianças e Adolescentes - Mitos e Fatos'', lançado no final de 2010 pelo Hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba.
O assunto, de acordo com os autores, não recebe a atenção necessária nem dos órgãos de saúde nem das famílias. O suicídio é a terceira causa de morte entre jovens de 15 a 25 anos de idade e a sexta causa entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos. Segundo a OMS, uma em cada quatro famílias tem um dos membros como portador de transtorno mental.
Para um diagnóstico bem-feito, a criança deve passar por avaliação multidisciplinar. Um trabalho realizado no Hospital Pequeno Príncipe com crianças da rede municipal de ensino orienta e detecta eventuais problemas. Para isso, a equipe médica faz o histórico de doenças neurológicas na família e consulta completa para detectar possíveis deficiências de visão ou audição, com avaliação psicológica de, no mínimo, três sessões. ''É importante saber exatamente o problema para que o tratamento possa ser adequado e a criança possa desenvolver as próprias habilidades'', diz Mara Lúcia.
Os fatores de risco são biológicos, quando a carga genética predispõe a doença, além de exposição a toxinas na gestação (como drogas) e ao chumbo, entre outras substâncias. ''Muitas crianças que são doentes não têm acesso ao medicamento e outras não precisam tomam remédio'', alerta Farias. Esse problema ocorre pela falta de um diagnóstico eficaz. Muitos remédios para saúde mental são receitados por clínicos, sendo que o correto seria que a criança passasse antes por um psiquiatra e combinasse a medicação com psicoterapia.
Serviço
O livro ''Transtornos Mentais em Crianças e Adolescentes - Mitos e Fatos'' pode ser adquirido no site www.lojapequenoprincipe.org.br e custa R$ 49.

mockup