Transtorno auditivo dificulta compreensão
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Fernanda Borges <Br>Reportagem Local 
Distração excessiva e dificuldade de assimilar informações que se ouve pode ser o distúrbio do processamento auditivo central (DPAC), transtorno auditivo mais comum do que se imagina Apesar do problema se intensificar com o avanço da idade, crianças e adultos jovens também podem apresentar o problema, cujo diagnóstico geralmente é confundido com déficit de atenção e outros transtornos que dificultam a identificação do DPAC Pessoas que não passam por tratamento sofrem pela falta de concentração, além de sentirem dificuldade em realizar atividades na vida pessoal e profissional com qualidade
A fonoaudióloga Marcia Bongiovanni explica que ouvir é diferente de escutar e que para detectar o que o ouvido escuta, é preciso haver atenção e memória ''O processamento auditivo é justamente esse momento que nosso cérebro processa as informações que os ouvidos receberam Por isso é muito comum o distúrbio acontecer com outras alterações que envolvem atenção e memória como o deficit de atenção, dislexia, distúrbio de aprendizagem, de escrita, e por aí afora'', diz
Cerca de 7% das crianças da população mundial apresentam o problema que acomete também outros 25% a 27% dos adultos, subindo para 70% quando o público é idoso Segundo a fonoaudióloga, o problema pode ter várias causas, desde fatores genéticos até uma alteração neurológica - como esclerose múltipla, tumores, AVC, e traumatismo craniano - ou a falta de estímulo sonoro, inflamação ou infecção nos ouvidos durante a infância ''Quando você fala com uma pessoa que tem o DPAC ela não entende direito, mas isso não significa que ela seja surda Quem sofre do distúrbio do processamento auditivo tem audição normal, ela ouve bem, só que não processa, não codifica a informação'', ressalta
Detectando o problema
Testes com uma equipe multiprofissional conseguem avaliar e identificar o problema São examinados os ouvidos, nariz, garganta, alterações do sistema nervoso, linguagem, problemas cognitivos ou comportamentais que possam contribuir com o quadro De acordo com a fonoaudióloga, os testes são feitos dentro da cabine acústica, com fones de ouvido, onde é possível analisar e diagnosticar como o cérebro está interpretando os sons que são escutados ''Também medimos a capacidade de conversação em ambientes ruidosos e verificamos o local da disfunção no sistema auditivo central''
Um pré-requisito antes da realização dos exames é uma avaliação audiológica básica que inclui audiometria feita especificamente para cada faixa etária ''Sabemos que muitos idosos contam com o DPAC, mas encontramos muitas crianças e jovens apresentando o problema Por isso, há necessidade de uma avaliação e tratamento para que a pessoa possa levar a vida com mais qualidade'', finaliza


