O relatório de impacto sobre o meio ambiente (Rima) do projeto de transposição do Rio São Francisco aponta entre suas piores consequências a perda de geração de energia elétrica, afetando pelo menos três Estados do Nordeste. Os prejuízos com a redução do potencial hidrelétrico na região são estimados em R$ 75,6 milhões ao ano. Como impacto indireto, o Rima alerta para a diminuição das receitas de municípios da Bahia, Alagoas e Pernambuco, que recebem compensação financeira pelo uso de seus recursos hídricos.
A partir desta semana, os técnicos do Instituto
Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) começam a analisar minuciosamente o Rima, entregue ao órgão na semana passada. Apesar de citar como negativos 38 dos 49 impactos ambientais analisados, o Rima, encomendado pelo Ministério da Integração Nacional, considera o projeto de transposição ‘‘ambientalmente viável’’, desde que executado com as medidas de compensação propostas no estudo de impacto ambiental (EIA).
Elaborado por 64 consultores do consórcio Jaakko Pöyry-Tahal, o relatório prevê uma perda na geração de energia de 137 megawatts por hora, o que representa 1% da energia média gerada em 24 horas na região, e 1,1% da média gerada em período crítico de consumo. A redução das receitas dos municípios baianos e alagoanos chegará a 0,4%, e nos pernambucanos atingirá 0,2%. Como alternativa, o estudo de impacto ambiental sugere que sejam discutidas medidas compensatórias entre o Ministério da Integração Nacional - o empreendedor do projeto - e os municípios e Estados afetados.
Entre os impactos apontados pelo Rima dois são irreversíveis: o desmatamento de 430 hectares para a execução das obras (que abrange 600 quilômetros de canais para levar água a oito açudes) e a alteração das áreas destinadas à implantação das obras. Isso significa perda de áreas de vegetação nativa, extinção de habitats de fauna terrestre e a alteração da qualidade da água e da vida aquática. Mas há aspectos positivos nos impactos avaliados, como a geração de emprego e renda.
Durante os cinco anos de obras deverão ser gerados até 5 mil postos de trabalho. Outros 620 mil são esperados a partir da implantação do projeto. Além da oferta de água para consumo doméstico, o Rima prevê a redução de doenças e óbitos decorrentes de problemas com a seca e a diminuição do êxodo rural.

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