Brasília, 26 (AE) - O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, previu hoje que no segundo semestre do próximo ano será possível lançar o edital de licitação para o primeiro trecho da obra da transposição do Rio São Francisco. Mas ele ressalta que a licitação somente ocorrerá se os estudos técnicos feitos até com a ajuda de satélite comprovarem que essa alternativa para reduzir os efeitos da seca é tecnicamente viável.
Além disso, é necessária a aprovação do Ministério do Meio Ambiente e da Agência Nacional de águas. O projeto também passará por ampla discussão da sociedade e das lideranças da região. Bezerra acredita que a transposição terá consenso nacional e avalia as atuais resistências como resultado de desconhecimento da proposta. Mas ele admite que será necessário uma "engenharia política" para chegar ao consenso.
O ministro Bezerra revelou ainda que pesquisa do Ibope, realizada a pedido da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em setembro, perguntou aos entrevistados se eles conheciam o projeto de transposição do São Francisco. De acordo com ele, 47% das pessoas responderam que sim. Para esse grupo, questionou-se ainda se concordava com a proposta: 94% deles foram favoráveis. Satélite - Para reforçar a pesquisa que vem sendo feita desde 1997, Bezerra assinou hoje convênio com o ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg, repassando mais R$ 15,250 milhões. Os estudos sobre a transposição do São Francisco já consumiram outros R$ 19,064 milhões. Segundo Sardenberg, até agora os resultados obtidos nos levantamentos feitos são favoráveis à transposição. E Bezerra comentou que o projeto está incluído no programa do governo Avança Brasil.
O MCT encomendou ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais estudos para localizar reservatórios subterrâneos do rio, fazer a previsão climática na região e controlar a salinização da água, a partir de imagens colhidas por satélites ou radares instalados em aviões. "Vamos ter uma idéia precisa da região", afirmou Sardenberg, observando que há uma preocupação enorme com a redução dos custos. DNOCs - O ministro Bezerra comentou hoje não ter ainda uma decisão sobre a indicação de Newton Mamede para diretor-geral do Departamento Nacional de Obras contra a Seca (DNOCs). Mamede, que já ocupa cargo no departamento há quatro anos, está sendo criticado por políticos do Nordeste, entre eles o deputado Ubiratan Aguiar (PSDB-CE). Um dossiê entregue a Bezerra denuncia que Mamede tem títulos protestados. "Qual é o crime que ele cometeu?", questiona Bezerra, explicando que ele foi indicado por um acordo político. "Se tiver alguma coisa me incomodando, ele não será nomeado", prometeu.

mockup