A maior parte do transporte de medicamentos no país é feita, em geral, em caminhões de carga comuns, sem equipamentos adequados para controle de temperatura. Também não existe fiscalização sanitária sobre o transporte de remédios. Uma das consequências da estocagem e do transporte inadequados é a perda da eficácia do medicamento.
‘‘O problema maior é que há uma lei e uma portaria sobre transporte e estoque que não são cumpridas e não há fiscalização da Vigilância Sanitária’’, disse Antonio Barbosa, presidente do CRF-DF (Conselho Regional de Farmácia do Distrito Federal).
Segundo o Ministério da Saúde, a legislação existente é muito genérica e uma mais detalhada deverá estar pronta na segunda quinzena de dezembro. O CRF-DF fez um levantamento sobre fatores que interferem na ação terapêutica dos remédios. ‘‘Recebemos pelo telefone (0800-61-1314) diversas denúncias de consumidores, médicos e farmacêuticos sobre medicamentos que não estavam surtindo efeito’’, disse Barbosa. ‘‘Chegamos à conclusão de que, mais do que problemas na fabricação do remédio, o que realmente afeta a ação terapêutica são o transporte e a estocagem impróprios’’, afirmou Barbosa.
A Abifarma confirma que o transporte dos remédios dos laboratórios até as distribuidoras é feito por empresa de transporte comum, em caminhões do tipo baú. ‘‘Mas a maior parte dos medicamentos tem uma segurança muito alta e não há constatação de problemas com o produto’’, disse o advogado José Bandeira de Mello, presidente da Abifarma (Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica).
Para o secretário nacional da Vigilância Sanitária, Gonzalo Vecina Neto, o que é mais preocupante é justamente o transporte de medicamentos que podem ser feitos à temperatura ambiente. Segundo ele, o isopor com fator congelante é suficiente para manter os remédios que necessitam de refrigeração em baixas temperaturas. ‘‘O remédio que fica no caminhão baú comum, sem controle térmico, é mais difícil de controlar. O motorista pára para almoçar e o caminhão fica no sol. A temperatura dentro do baú pode chegar a até 60.oC, e isso pode atingir o medicamento’’, disse.

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