Londrina - Toda sexta-feira, a auxiliar administrativa Alessandra Mantellato volta para casa, em Ibiporã, uma hora mais cedo. "É o melhor dia", diz, explicando que só assim consegue pegar um ônibus menos cheio e tem chance de viajar sentada durante o trajeto de 25 minutos. Ela é uma entre as milhares de pessoas que usam o transporte coletivo entre Londrina e cidades da região e que vão pagar mais caro pela viagem a partir de hoje. O aumento foi autorizado pelo Departamento de Estradas e Rodagem do Paraná (DER) para as regiões metropolitanas, com exceção de Curitiba, e também nas viagens rodoviárias entre municípios.
A notícia do aumento da tarifa pegou Alessandra de surpresa. "Não sabia que ia subir, até porque não faz tempo que o valor aumentou", reclamou a jovem, grávida de sete meses. No caso dela (e de todos os que fazem o trecho Londrina/Cambé), a passagem subiu de R$ 2,60 para R$ 2,80.
A passageira criticou que o valor pago não se reflete na qualidade do serviço. "Ficamos expostos à chuva, ao sol forte. Muitas pessoas buscam atendimento médico na cidade, por exemplo, precisam usar um banheiro e passam apertado. Não é nada de luxo. São coisas simples, fáceis de fazer e que fariam muita diferença para quem precisa de transporte público", desabafa.
A costureira Marilda Rossana Castro, de Bela Vista do Paraíso, também não gostou nem um pouco do aumento. "Pior para mim que estou desempregada. Venho para Londrina três vezes por semana, tenho problema na coluna e fico pensando em quem trabalha no comércio todos os dias", critica.
É o caso da empregada doméstica Rosana da Silva Lemos, da mesma cidade. "Por dia, minha patroa me paga R$ 8,10 só de ônibus, agora vai para R$ 8,70. É demais", disparou. "Aqui é brecada seca, derrapada e tarifa cara. Vai muita gente em pé o trecho todo e se perder um ônibus, é mais uma hora de espera até o próximo."
Além dos preços citados, o trecho Londrina/Sertanópolis passa a custar R$ 4,50, enquanto Londrina/Rolândia sobe para R$ 3.

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