São Paulo, 11 (AE) - O aumento do transporte coletivo e o impacto da desvalorização cambial no preço dos alimentos resultaram numa inflação de 0,75% na primeira quadrissemana de fevereiro, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe)
da Universidade de São Paulo (Usp).
Na próxima semana, o índice deve aumentar para 1%, e ficar nesse nível no fechamento de fevereiro. Em janeiro, a inflação foi de 0,50%. Será a maior inflação num mês de fevereiro desde 1995, quando o IPC ficou em 1,32%. Nos anos seguintes o IPC de fevereiro foi de 0,40% (1996) e 0,01% (1997).
Nos próximos meses, a inflação deve continuar em trajetória ascendente. A previsão do economista Heron do Carmo, coordenador do IPC, é de um IPC de 8% no primeiro semestre. "A inflação deve ser alta no primeiro semestre, mas os preços devem subir bem menos no segundo semestre", afirma Heron. Ele ressalva que o índice de inflação deste ano vai depender do câmbio.
Se a desvalorização do real se estabilizar rapidamente em torno de 40% ( R$ 1,70), ele acredita que a inflação de 99 ficará entre 10% e 12% ao ano. "Quanto mais tempo o câmbio ficar elevado mais contamina os preços", diz o economista.
O pico da inflação este ano, na sua avaliação, será registrado em abril e maio, quando o IPC deve ficar entre 2% e 2 5%. Em junho já deve começar a recuar, com um índice em torno de 1%.
Alimentos - Nesta primeira prévia de fevereiro, o índice foi puxado pelo aumento de 1,21% no preço dos alimentos e pela elevação de 3,20% no custo dos transportes, por causa do aumento de 9,97% nos gastos com transportes urbanos.
Esses dois itens devem continuar pressionando o IPC nas próximas semanas. A previsão do coordenador é que o custo de alimentação deve ficar acima de 2% até o fim do mês.
A alta dos alimentos é resultado em parte da desvalorização cambial, no caso dos industrializados, e em parte pela variação sazonal, como nos produtos in natura, por causa da chuva. No transporte, o pico da alta de 15% no preço das passagens de ônibus, no mês passado, será sentido na próxima semana. A partir daí, o impacto vai diminuir até desaparecer do índice na segunda quadrissemana de março.
Os gastos com habitação subiram 0,39% pressionados pelo aumento do preço dos móveis e equipamentos domésticos, mais caros por causa da variação cambial, e tendência de continuar em alta nas próximas semanas.
Esses aumentos são compensados em parte pela redução dos gastos com aluguel e com linha telefônica, que ficou 10% mais barata. O índice da primeira quadrissemana reflete a variação dos preços entre 8 de janeiro e 7 de fevereiro em relação ao período de 8 de dezembro e 7 de janeiro.
As despesas pessoais subiram pouco, em média 0,12%. Os gastos com educação tiveram elevação de 0,91%, mas a trajetória é de queda nas próximas semanas. As despesas com vestuário ficaram 2,12% menores, um índice menor do que o esperado para essa época do ano. "Pode ser que a queda deste ano não seja suficiente para aliviar o aumento nos preços de outros itens", diz Heron.
IPA - A previsão de inflação de 3% para fevereiro, feita pela fundação Getúlio Vargas para o IGP-M, não deve se repetir no IPC, segundo Heron. Ele lembra que o IGP-M inclui o Índice de Preços no Atacado (IPA), que sofre mais rapidamente e com mais intensidade os efeitos da desvalorização do real em relação ao dólar.
"Esse repasse vai chegar ao consumidor mais diluído porque há pouco espaço para aumento de preço", diz o economista da Fipe. Heron avalia que o IPA deve subir com mais força em fevereiro e março e depois recuar, enquanto os índices que medem a inflação no consumidor devem subir menos agora e mais em abril e maio.

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